Organizando a vida

É sempre assim: percebemos que estamos desorganizados, então pegamos papel e caneta, escrevemos listas, catamos os papeis espalhados pela mesa e jogamos o lixo fora. Planejamos meia dúzia de tarefas pendentes e pronto, tudo parece mais claro e organizado. Mas será que essas ações realmente mudaram nossas vidas ou apenas agiu de forma superficial e temporária?

Tenho passado por algumas mudanças. A impressão é que entrei em um redemoinho e que tudo o que estava ali, firme, começou a voar sobre minha cabeça desestruturando tudo o que eu achava que estava fixo. E isso é, diga-se de passagem, extremamente bom, pois eu realmente adoro mudanças.

No entanto, tais mudanças me fizeram perceber o quanto eu estava desorganizada. Precisando de alguns documentos, recorri às pastas nas quais continham desde o diploma de Medicina Veterinária até boletos pagos de cursos avulsos. Uma bagunça. No meio de tudo, tive a surpresa de encontrar minha certidão de nascimento, a qual sabia que estava por ali, em algum canto obscuro da tal pasta amarela. Foi o ponto crítico para decidir por uma mudança mais séria: organizar minha vida de uma forma mais profunda.

Chega de empilhar papeis sobre a mesa. De passar um paninho na prateleira dos livros. De colocar meus brincos e pulseiras nas caixinhas. O que preciso agora é organizar cada item que faz parte de quem sou. Cada papel. Cada certificado. Cada diploma. Preciso começar do zero, organizar meus documentos, certidões, carteira de trabalho, título de eleitor. Não apenas deixá-los em uma pasta jogada no fundo do armário.

Muitas vezes organizamos o que está sob nossa visão. O que está aparente, sobre as superfícies dos nossos quartos, sala, cozinha e esquecemos daquilo tudo que juntamos sem critério e entulhamos em um único canto, longe do nosso campo. Está na hora de revolver aquelas energias estagnadas, aquela bagunça que deixamos pra arrumar depois-um-dia-quem-sabe. Pra quando tivermos paciência. Mas a verdade é que nada ficará realmente organizado se não começamos pelo caos mais profundo.

Vamos deixar um pouco a superfície de lado e atacar de uma vez aquela bagunça que sempre deixamos pra depois? Afinal, de nada adianta continuarmos passando pano na mesa se por baixo do tapete a situação está crítica.

Simplesmente desacelere

Simplesmente desacelere - Vida Minimalista

É certo que sempre temos aquele momento da vida em que tudo parece confuso, no qual temos que tomar algumas decisões importantes e que um passo errado pode colocar tudo a perder.

Quando estou vivenciando esse tipo de momento, costumo pisar no freio e simplesmente desacelerar. Apesar de ter um comportamento um tanto impulsivo, estou aprendendo bastante como refletir, pensar duas, três, dez vezes antes de tomar uma decisão, e foi o que fiz na última semana.

Após tomar a decisão de desacelerar, desconectar e voltar ao “mundo real“, tudo pareceu fluir naturalmente. O que antes pareciam pequenos obstáculos, foram resolvendo aos poucos. O que antes parecia obscuro, se iluminou, e assim pude enxergar mais adiante, abandonando velhos planos que já não estavam mais em sintonia, abrindo espaço para novas ideias.

Quando se sentirem desmotivados, cansados e sem perspectiva, apenas desacelerem. Peguem a estrada, caminhem pela rua ou sentem na areia da praia e observem o mar. Esvaziar a mente pode parecer algo sem importância, mas apenas conseguimos refletir sobre nossas vidas quando silenciamos todos os ruídos, tanto externos, quanto os que nossa própria mente produz.

E vocês, o que costumam fazer quando a mente parece transbordar de pensamentos confusos?

Milarepa e o Desapego: Livre do Sofrimento

Milarepa e o Desapego: Livre do Sofrimento - Vida Minimalista

Livre do Sofrimento
“Não tenho qualquer desejo por posses nem riqueza, e por isso não tenho nada.
Não tenho a experiência do sofrimento inicial de ter de acumular bens,
do sofrimento intermediário de ter de guardar e manter as posses,
nem do sofrimento final de perder tudo que adquiri. Isso é uma coisa maravilhosa.” – Milarepa

Jetsün Milarepa foi um poeta tibetano e iogue budista que viveu aproximadamente entre os anos 1052 a 1135. É conhecido – entre outros feitos – pelos seus pensamentos sobre desapego e altruísmo, e o poema acima foi uma sugestão publicada no grupo Vida Minimalista (Facebook). Que a mensagem de Milarepa inspire também a outros leitores que buscam uma vida mais simples e desapegada do materialismo a cada dia.