A lua minguante e a transformação pessoal

Hoje venho falar sobre a lua minguante e sua relação com o desapego. Infelizmente não sei a autoria desta imagem, procurei pelo Google e as referências remetem sempre ao Pinterest ou Tumblr, mas quem souber o autor, favor me avisar que colocarei os créditos (editando, é Enkel Dika 🙂 ). Mas o que tem a ver esta imagem com a lua minguante? TUDO.

A lua minguante é um período muito favorável aos desapegos. À faxina. Uma época em que precisamos remover nossas camadas de células mortas, nossa pele que já não combina mais com quem queremos nos transformar. É a época de deixar pra trás, de se despir do antigo e se preparar para o novo.

Certa vez li sobre um monge que explica o desapego da seguinte forma: imagina que você tem um copo com água suja de lama. Caminhando pela floresta você sente sede, mas não pode beber daquela água por estar contaminada. Então, você encontra um rio de água pura e cristalina. O que você fará? Completará o copo com esta água? Não. Você precisará despejar a água do copo fora antes de enche-la com a água limpa.

E assim como este astronauta na ilustração age, podando, cortando, limpando, que devemos agir. Se queremos nos transformar pra algo novo, por que continuamos agarrado às nossas velhas estruturas? Se não queremos mais agir de determinada maneira, por qual motivo ainda nos sentimos apegados? A resposta é simples: ego e medo.

Nosso ego ainda fica apegado ao “EU SOU“. Eu, eu, eu, sempre o eu. E temos medo, muito medo do que virá pela frente. Mas, enquanto estivermos apegados à nossa imagem no espelho, não poderemos desfrutar de novas descobertas, de transformações profundas e de desenvolvimento.

Lembrem-se sempre, pra que possamos subir as escadas da vida, precisamos subir degraus. E pra passar para o próximo degrau, precisamos tirar o pé do degrau anterior.

Aproveite este momento para refletir, pra introspecção. Do que você pode desapegar? O que você não quer mais em sua vida? Vamos, abra as gavetas, as portas, remova o que não te serve mais. Experimente fazer isso tanto emocionalmente quanto fisicamente. Há quanto tempo você não faz uma arrumação em seu armário? Doe, desapegue, abra espaço para receber coisas novas, ou não. Ou simplesmente deixe o espaço vazio. Não há nada de errado com o vazio. Não precisamos nos manter cheios constantemente. Experimente o vazio, não há nada de errado com isso. Não precisamos estar completos, transbordando. Não precisamos ocupar nosso tempo com algo “útil”. Desfrute da inércia, não se sinta culpado. Aprecie o nada.

Do que você pode desapegar hoje?

Produtos recebidos: Força da Terra

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Ontem mostrei lá no meu Snapchat e no Instagram a novidade que recebi de presente da Força da Terra: uma caixinha com alguns produtos cruelty-free e veganos da marca. Já faz tempo que uso algumas argilas e óleos essenciais deles – já até mostrei aqui – e eles acertaram em cheio, pois eu ainda não tinha experimentado nenhum dos produtos enviados. <3

O que veio na caixa:

1 // Argila Verde

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A argila pode ser usada como máscara facial e corporal. A verde e a preta são ótimas para quem tem a pele oleosa, como no meu caso. Já tinha usado a rosa e gostei muito, mas a verde realmente senti que deixa a pele mais sequinha. Na embalagem informa que tem poder de absorção que proporciona sensação tensora e remove o excesso de oleosidade, tornando a pele macia e revitalizada.

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sem print, please! 😛

2 // Óleo Essencial de Tangerina

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Pretendo fazer um post só desse óleo, como fiz com o de laranja. As propriedades são um pouco semelhantes, mas com algumas diferenças. Também encontrado por aí com o nome de mandarina, o óleo tem propriedades antissépticas e regenerativas quando usado na pele. Já no sistema nervoso, é muito bom para insônia, depressão e tensão nervosa.

A dica é usar associada à argila verde. Depois da mistura feita, pode pingar 2 ou 3 gotinhas de óleo de tangerina e misturar bem. A sensação é de refrescância e o bom é que não tem risco de irritar a pele. Só tem que tomar cuidado para não se expor ao sol após usá-lo, assim como qualquer tratamento usando ingredientes cítricos pois pode causar manchas ou irritações devido à exposição aos raios UV.

3 // Máscara Capilar Coquetel de Óleos

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O mais legal do Força da Terra é que eles utilizam apenas ingredientes vegetais sem origem animal e são cruelty-free, mas além disso, não usam corantes, parabenos, petrolatos nem derivados do formol. Essa máscara tem uma combinação de óleos naturais de semente de uva, copaíba, amêndoas, abacate, andiroba e manteiga de karité ajudando na reconstrução capilar. Usei, deixei no cabelo com touca por uns 15 minutos e depois lavei. Aprovei! Meu cabelo deu uma boa hidratada – estava precisando, coitado – e senti que os fios ficaram mais soltinhos e leves.

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comentei aqui no blog que aos Sábados (ou domingos) gosto de tirar um tempinho pra cuidar de mim, fazer uma faxina, organizar as coisas e planejar minha próxima semana. Acho muito importante termos um tempo pra nós mesmos, pra encontrarmos nosso equilíbrio e fazer coisas que gostamos.

E vocês, conhecem algum produto do Força da Terra? Como gostam de cuidar de vocês no tempo livre? Conte pra mim aqui nos comentários!

O declutter físico e o desapego emocional

Declutter e desapego emocional | Camile Carvalho | Vida Minimalista

Hoje fiz mais um declutter. Mas não, não mexi nas minhas roupas, nem na papelada. resolvi ir mais fundo.

Abri o maleiro do meu guarda-roupas, aquele mesmo que eu já havia feito um super declutter há alguns anos e contei aqui no blog. Naquela época, eu tinha muitas memórias, brinquedos da infância, todo meu material da primeira faculdade (Medicina Veterinária) e muita, muita tralha a ser analisada. Foi um processo difícil, de olhar cada objeto em minhas mãos e lidar com memórias, algumas boas, outras nem tanto.

Consegui organizar umas caixas, deixar todas aquelas memórias bem guardadinhas, para um dia, quem sabe, abri-las caso precisasse. Mas não precisei.

Hoje decidi recomeçar meu desapego tanto físico quanto emocional, e tirei cada uma dessas caixas. As coloquei no chão do quarto, e entre poeiras e memórias, fui abrindo uma a uma. O resultado foi impressionante.

Em cada uma das caixas, um pouco do meu passado, da minha personalidade, como se eu quisesse armazenar um registro de quem fui. Como se guardando aqueles objetos, eu pudesse provar a alguém que vivenciei aquilo, que eu sou aquilo que estava ali, armazenado.

Em uma das caixas eu guardava minhas memórias da Medicina Veterinária. Como alguns já sabem, eu sou formada em Medicina Veterinária desde 2007 e caminhei em direção às tecnologias de reprodução de animais de grande porte. Isso, traduzindo, significa que eu inseminava e fazia transferências de embriões, além de acompanhar exposições de Mangalarga Marchador e leilões.

Ali, naquela caixa, estavam também algumas matérias da faculdade, anotações de provas que eu havia guardado e catálogos de leilão. Esta foi uma parte de mim, que hoje vejo que não é mais. E foi só remexendo nessas memórias que me dei conta de que aquelas lembranças – antes felizes – hoje me trazem um sentimento de estranhamento com a Camile que sou hoje. Vou explicar o porquê.

Desde criança sou completamente apaixonada por cavalos. Não sei por qual influência, ou talvez por ser meu animal totem, mas meu sonho sempre foi trabalhar com eles. Montar no pêlo e sair galopando pelos campos, sem hora pra voltar. Aquela sensação de liberdade, de poder, e tudo o mais que um cavalo significava para mim. Fiz equitação e hipismo e, não satisfeita, não tinha outra opção para mim a não ser cursar Medicina Veterinária. Passei pra Biologia, pra Medicina, mas foi a Veterinária que escolhi.

Foram 6 anos de estudos, e de dedicação aos cavalos. No final do curso, eu já estava bem entrosada com os professores e com muitos fazendeiros, sendo constantemente chamada pra fazer parte das equipes sempre que havia uma cirurgia ou uma exposição. Foi a melhor época que vivi, pois ali me sentia realizada. Os semestres passaram e eu estava cada vez mais dentro de um universo um tanto fechado, de trabalhar com animais de grande porte, fazer cirurgias, castrações, descornas, inseminações artificiais e transferências de embriões. Até que – não me recordo como – uma ficha caiu:

“Eu amo animais. Eu amo cavalos. E tudo o que estou vivendo, colaborando, não condiz com esse amor e respeito que sinto por eles.”

Animais de produção – assim são chamados. E a cada dia me sentia mais infeliz por ter escolhido uma profissão que não estava completamente alinhada aos meus princípios de vida: o ahimsa (não-violência), o respeito e libertação animal. Muito pelo contrário, eu os fazia cada vez mais produtos de um sistema no qual o dinheiro era o mais importante. E foi quando rompi de vez com a Medicina Veterinária, aceitando um emprego de editora de vídeo da Rede Record. Sim. Um giro total na minha vida.

Não tive medo de mudar do Rio de Janeiro pra São Paulo, de morar com pessoas que não conhecia nem de ter que enfrentar determinados problemas longe da minha família. Eu queria mudar, e foi depois de um ano trabalhando no meio das telecomunicações, que decidi ingressar na minha segunda graduação: Comunicação Social.

Digo isso pra passar a mensagem de que nunca é tarde para fazer uma grande mudança em suas vidas. Mas agora retornarei ao tema da minha organização do dia. Calma, vocês verão que tudo tem uma ligação.

Enquanto mexia naquelas memórias da Medicina Veterinária, peguei os catálogos de exposições, de leilões, mexi no material de transferência de embrião que ainda tinha guardado. Uma emoção antes presa surgiu em mim, como uma catarse, e chorei. Minha caixa de boas memórias da Veterinária, não passavam de lembranças não muito agradáveis, de como eu estava em um caminho totalmente afastado dos meus princípios. Lembrei dos bois que eu havia selecionado pro abate. Lembrei da égua que caiu do penhasco e o fazendeiro só esbravejava que tinha perdido sei lá quantos mil. Lembrei do Búfalo que peguei no pasto e coloquei no caminhão, pra ser abatido. Quem era eu, afinal, naquela época?

Apenas três coisas pude fazer: pedir perdão por ter contribuído com algo que hoje não concordo, me perdoar (sim, porque isso também é extremamente importante) e agradecer, por ter percebido o quanto mudei nestes últimos anos. Como uma técnica Ho’oponopono (Sinto muito, me perdoe, eu te amo, obrigado).

2007 – era este o ano estampado na maioria das minhas lembranças e, quase 10 anos depois, me encontro no chão do meu quarto, revendo memórias que foram como um soco no meu estômago, mas que antes me faziam feliz. Eu já entendi o recado. Era isso que eu precisava vivenciar, e no momento certo.

Sou grata pela experiência que tive ao rever minhas memórias de momentos felizes. Mas agora é hora de deixá-las ir embora.

E na memória ficará apenas aquele cavalo castanho, sem sela, com sua crina ao vento. Livre, correndo junto aos seus companheiros ao fim do dia.

Livre. Livre. Livre.

Porque foi isso que eu sempre sonhei desde criança. E eu tenho a certeza que em algum lugar, haverá um cavalo em liberdade sendo grato por eu ter mudado de rota.

obs.: este post não é uma crítica à Medicina Veterinária. É apenas um desabafo sobre o caminho que eu estava trilhando dentro dessa profissão. <3