Aniversário, novo ciclo e transformações


Hoje é meu aniversário. Sim, parabéns a mim! 🙂

Mas o que venho escrever não é sobre os confetes que quero que despejem sobre a minha cabeça hoje, mas sim, refletir sobre o quanto esta data representa para mim. Todo aniversário é o marco de um novo ciclo. É mais uma volta ao redor do sol que damos e isso – para mim – tem vários outros significados além de bolo com parabéns. É um momento de reflexão, de olhar pra trás e pensar, pelamordedeus, o que eu tenho feito da minha vida? É planejar, pegar papel e caneta e traçar novas metas, é pensar “agora vai” mesmo que todo ano pense a mesma coisa e a impressão é a de que até agora nada foi.

Mas calma, hoje é uma data feliz. A partir do momento em que olhamos para o nosso último ano com o filtro do copo metade cheio, podemos observar o quanto crescemos, o quanto mudamos e o quanto conquistamos. Na maioria das vezes esperamos sempre grandes marcos, grandes projetos, como se os pequenos passos que damos não contassem. Mas acredite, só conseguimos chegar no topo da montanha de dermos o primeiro passo aqui, na base dela. Aliás, tudo começa com uma simples decisão: a de começar a caminhar.

E este último ano foi cheio de primeiros passos. Também cheio de continuidades, mas também de alguns recuos. Tirando toda a negatividade que esta palavra carrega em si, recuar não é ruim. Recuar, muitas vezes, é perceber que não vale a pena insistir naquilo que já não combina mais conosco. Recuar é dar chance de refletir sobre o que estávamos fazendo, muitas vezes de forma impulsiva ou automática. Recuar é bom.

E recuei em alguns momentos. Recuei quando tomei a decisão de voltar ao meio acadêmico e cursar o mestrado, mesmo sabendo que minhas aulas de yoga seriam sacrificadas. Recuei quando percebi que meu objeto de pesquisa me traria algumas dores de cabeça e que seria melhor mudar de foco, mesmo que meu ego gritasse que não. Veja bem, isso tudo foi e é importante. Escolher é deixar algo pra trás, e ao longo deste último ano percebi que errei? Pode ser que sim, mas que todos os caminhos que cursei – e todas as curvas sinuosas – me trouxeram até o aqui e o agora: exatamente onde eu deveria estar.

ntão, caros leitores, não tenham medo de recuar. Não tenham medo de desistir do que escolheram e trilhar um novo caminho. Desapeguem da certeza de que tudo tem que ser para sempre. Há caminhos e mais caminhos aguardando um caminhante, não percam a oportunidade de conhecerem, de errarem, de aprenderem. Afinal, a única certeza que temos é a de que tudo muda a todo instante, cabe a nós aprendermos a dançar conforme a música e acompanhar o fluxo do rio.
Um lindo dia a todos/todas.

Minha jornada no mestrado: da decisão à prova escrita

Desde 2015 eu pretendia entrar pro programa do mestrado em Comunicação da UERJ (PPGCOM), mas foi justamente quando comecei a rascunhar um projeto, que minha vida deu uma reviravolta e comecei a dar aulas de Yoga. Ainda não contei aqui no blog como tudo isso aconteceu, mas posso deixar pra um outro post. A questão é que eu simplesmente larguei tudo pro ar pra me dedicar a este novo lindo caminho: Yoga, autoconhecimento e uma bateria de cursos de formação e especialização.

No entanto, em 2017 comecei a sentir saudades do meio acadêmico. Uma amiga minha que é professora do mestrado em Letras de Juiz de Fora (gratidão eterna, Ju!) me perguntou sobre um artigo que eu tinha escrito e sugeriu uma coautoria de um novo artigo para uma publicação. Eu já estava meio balançada com a saudade do meio acadêmico, quando fui revirar as pastas, material, papelada e a vontade de voltar ressurgiu das cinzas. Depois de uns dias envolvida com o artigo, conversando com minha mãe lancei um “e se… por acaso… eu tentasse o mestrado este ano”, quando obtive como resposta um “te dou todo apoio, acho que deve fazer SIM”. Era o estímulo que eu precisava naquele momento!

Comecei a pensar na possibilidade mas achava algo muito distante. Era meados de Junho e a prova seria em Agosto. Pensei em tentar em 2017, mas estaria em desvantagem, pois começaria a estudar tudo já muito próximo da primeira etapa: a prova escrita. Claro que eu estaria em desvantagem, então pensei que apenas tentaria, sem a pretensão de realmente passar.

Mandei um email pra meu ex-professor-chefinho que me é muito querido (fui monitora e estagiária dele por 2 anos) e contei a ele meus planos, quando ele me recordou uma frase que sempre falava aos alunos do primeiro período:

Quando você diz que vai tentar, você já está contando com sua derrota. Não tente, passe!

Neste momento virou uma chave na minha cabeça: não vou tentar o mestrado este ano. Eu vou entrar. E pra que isso aconteça, terei que reorganizar toda minha vida como professora de yoga pra dar conta desse processo seletivo.

O edital já estava publicado. Imprimi e fui em busca dos 6 livros que teria que estudar num espaço de menos de 2 meses. Consegui comprar 5 deles e um só encontrei em PDF. Foi um investimento, e eu já estava com a mente dizendo que sim, eu iria passar. E de qualquer forma, seria bom comprá-los e tê-los em minha biblioteca pessoal, já que são livros que serão usados mais tarde em outras disciplinas ou na minha própria pesquisa. Minha mente já estava configurada no modo “já passei”.

A afirmação

Quem faz minhas aulas de yoga sabe que sempre falo de Sankalpa, que nada mais é que uma afirmação, um direcionamento de sua energia para algo muito importante para você. Seja algo a curto ou longo prazo, o importante é manter essa afirmação não apenas nas aulas e yoga, mas em qualquer momento que lembrar.

Na minha mente o “estou cursando o mestrado” agia como um mantra e para que isso se tornasse realidade, tive que tomar algumas decisões difíceis, porém importantes. É como dar um salto no escuro, mas precisamos ter essa coragem se queremos alçar novos voos.

De seis lugares onde eu dava aulas de yoga, saí de quatro.

Sim, eu simplesmente me desliguei de lugares dos quais gostava muito. Muitos colegas e alunos não compreenderam, mas eu evitei espalhar aos quatro ventos que estudaria pro mestrado, deixando claro que estaria entrando em uma nova fase da minha vida e que precisava fazer isso, e que quando a situação se ajustasse, eu voltaria. A verdade é que eu nunca mais voltei… a vida é feita de escolhas e desapegos.

O pré-projeto

O Sankalpa é muito importante. É como um direcionamento, mas como precisamos ter a certeza de que nada cairá do céu se não agirmos, após ter os livros em mãos e uma ideia do projeto, comecei a me organizar de modo a dar conta de tudo. A inscrição já exigia um pré-projeto, e a certeza de que estudaria algo ligado ao yoga me fez rabiscar muitos rascunhos em busca de um objeto.

Foram dias e dias pensando – até na hora do banho – como eu faria este projeto, até que tive uma ideia e comecei a escrever. Eu já tinha uma linha condutora de pesquisas em mídias digitais desde minha iniciação científica até minha especialização (Comunicação em Mídias Digitais), mas eu queria colocar o yoga no meio, só não sabia como…

Usei o Evernote e criei uma nota para cada tópico, e ali mesmo comecei a desenvolver a ideia central: estudar a relação dos iogues contemporâneos com seus livros tradicionais. Meu orientador trabalha com materialidade de livros e as mudanças de manuscrito para impressos, impressos para digitais, e como se dão as relações dos leitores em vários suportes e isso me pareceu uma ideia muito, mas muito brilhante e inovadora. Depois a gente percebe que não é tão brilhante assim, mas é melhor manter essa animação do pré-projeto, confie em mim.

Enfim, consegui desenvolver o pré-projeto e fiquei mais aliviada quando paguei a taxa e levei, pessoalmente, toda a documentação para a inscrição no processo seletivo. A coisa enfim, ficou séria e a ficha caiu.

Os estudos

Com a aprovação do pré-projeto e de toda documentação, considerei o primeiro passo dado. Para me organizar com as leituras, fiz um cronograma de quanto tempo restava até o dia da prova, deixando a última semana para uma revisão geral. Separei mais ou menos assim:

  • Semana 1: Livro X – Capítulos 1/2/3
  • Semana 2: Livro X – Capítulos 4/5/6

Sim, era tudo muito corrido mas eu tinha tempo livre. Tudo que eu precisava era apenas ler, estudar, rabiscar sem dó e me dedicar muito, mas muito mesmo! Sabia que não dava pra enrolar, afinal, os outros candidatos tinham uma boa vantagem sobre mim e eu teria que dar o melhor, garantindo uma boa nota na prova escrita para, caso fosse aprovada, ficar em uma boa colocação.

Se eu dei conta de todos os livros? Não. Uma semana fiquei muito gripada, portanto, meu rendimento não foi bom. De repente, um compromisso aqui, algo inesperado ali, e a programação que fiz começou a ir por água abaixo. Precisaria de uma nova tática, mas sem deixar os estudos de lado. Neste momento já era questão de honra: eu PRECISO ler tudo isso. Mas… será que eu precisaria ler TUDO mesmo?

Mudando a estratégia…

Uma coisa boa da internet é encontrar resenhas por aí. A ideia passou a ser, então, encontrar as resenhas dos livros que eu precisaria estudar e estudá-las, mas sem abandonar os livros. Separando as resenhas e artigos publicados que citavam estes livros, comecei a entender qual linha de raciocínio cada autor tinha. Pro meio acadêmico, precisamos sempre compreender mais do que o autor quer falar, mas quem ele é, com quem dialoga e qual o contexto.

Tudo foi ficando mais claro. Comecei a fazer meus resumos e os estudos começaram a fluir, pois ao pegar um novo livro, já sabia que tipo de pensamento tinha o autor e qual seu posicionamento em relação ao objeto de seus estudos. Mais pra frente vou escrever um post dando várias dicas sobre isso pra quem tiver interesse (se tiver, escreva nos comentários).

O dia da prova escrita

Cheguei no dia da prova ainda me sentindo um pouco em desvantagem. A sala, lotada. Muitas pessoas que nunca havia visto na vida, alguns conversando entre si, outros quietos num canto e uma colega minha, da graduação, sentou-se na minha frente. Demonstrava total segurança com a prova e com o conteúdo, dizendo que estava muito preparada e que era só escrever muito, usando muitos exemplos…

peraí… exemplos? Mas exemplos de quê?

A prova foi distribuída e olhei as perguntas. Sabe aquelas questões tão imensas que temos que primeiro entender o que, de fato, estão perguntando? Pois é. Respirei fundo e, como poderíamos escolher uma das opções, escolhi a que me levava a um autor que eu tinha mais afinidade. Comecei escrevendo palavras-chave na folha rascunho e desenvolvendo algumas frases de sua teoria. E escrevi… escrevi muito, a ponto do meu ombro começar a doer. Ah, a tendinite… a maldita tendinite deu as caras, justo naquele momento, na hora mais importante me fazendo ter leves fisgadas do ombro direito até minha mão…

Com o braço doendo, o tempo passando e a escrita sem fluidez – socorro, o que eu estava fazendo ali? – dei o melhor de mim. Sem exemplos, sem muito blábláblá. Escrevi de forma concisa – sabia que estava deixando muita coisa de lado – enquanto só via minha colega pedindo mais uma folha… e mais uma. Ok, ela passou e eu não, foi meu pensamento. Concluí a prova com a vista já trocando as letras e entreguei. Pronto, passou. Sei que não foi dessa vez, na próxima seleção, começarei a estudar com mais antecedência e organização.

Saí junto com minha colega. Ela, com várias folhas grampeadas. Eu, entregando uma única, escrita frente e verso. Ela, saindo animada por ter sido muito fácil e que ela conseguiu escrever TUDO, com vários exemplos (???), eu, cabisbaixa já pensando que nem sabia mais se queria passar por isso novamente.

Sete dias se passaram quando saiu o resultado: eu, aprovada com 8,30. Ela, infelizmente, reprovada.

Ali tudo ficou mais claro: é qualidade sobre quantidade. Não importa o quanto você saiba, o que importa mesmo, é a sua capacidade de ser conciso, de colocar seu conhecimento com clareza e lógica. Uau, eu havia passado na prova escrita, o próximo passo seria análise de Lattes e do Projeto de Pesquisa.

Naquele momento, apenas um pensamento vinha à minha mente: já que eu passei na primeira etapa, irei até o final.

E assim continuei minha jornada…

{Quer saber como foi a entrevista? Tem alguma dúvida sobre o processo seletivo? Deixe aqui nos comentários para que eu possa escrever a continuação respondendo algumas dúvidas de vocês!}

Como organizei minhas roupas para 2018 (método KonMari)

Marie Kondo é uma japonesa que criou o método KonMari de organização. Se você ainda não a conhece, sugiro que leia este post aqui, onde faço uma resenha de seu principal livro A Mágica da Arrumação. Não vou registrar o passo-a-passo detalhadamente da arrumação pois já o fiz na organização de 2017 (leia aqui), mas contarei o que achei de diferente da primeira vez.

Bem, já vou avisando que, segundo Marie Kondo, só precisamos fazer essa mega arrumação uma vez na vida, e que, se fizermos bem feita e passarmos a comprar com consciência, não precisaremos mais fazê-la. Aí que está o ponto, como acho que cada um tem seu jeito de lidar com as compras, roupas e estilo pessoal, acho válido fazermos revisões de vez em quando pra adequarmos nossas roupas aos nossos momentos. Acredito que somos múltiplos, tem momentos em que estamos curtindo mais um estilo, em outros momentos estamos em outras energias, e uma revisão acho que, no meu caso, é sempre necessário.

Eu não faço armário-cápsula. Pra quem ainda não conhece este conceito, o armário-cápsula é um projeto em que separamos apenas algumas peças de roupas para serem usadas em cada estação do ano. Como aqui no Rio de Janeiro não temos estações definidas e não uso apenas um estilo de roupa, prefiro ter uma quantidade de peças adequadas e constantemente fazer essa revisão pra saber o que pode ser passado adiante, o que pode ir pra casa de praia e o que pode ser adicionado em meu armário que promoverá um leque maior de combinações com o que eu já tenho.

Acreditem, às vezes a compra de uma peça-coringa permitirá que você use com mais frequência o que você já tem. Portanto, o foco aqui não é te convencer a não comprar nada, mas sim, saber comprar com consciência. Sim, aos meus leitores do Vida Minimalista, nada de extremos! O caminho do meio é mais adequado.

(Re)começando a organização

A primeira vez que fiz essa arrumação não acreditei no que estava lendo. Marie Kondo nos fala para colocarmos TODAS as roupas no mesmo lugar. Sim, TODAS. As roupas no cesto pra lavar, as roupas do varal, aquelas roupas guardadas em outros locais da casa, todas. Em 2017, quando fiz pela primeira vez a arrumação tentei burlar um pouco a regra colocando apenas as que estavam no meu guarda-roupas. Depois me entreguei e fui catando TUDO que tinha pela casa e, quando olhei pro meu quarto, não acreditava que uma pessoa só poderia ser capaz de ter tudo aquilo. Bateu um desespero. E sim, isso é desanimador.

Mas, ao mesmo tempo em que nos sentimos desanimados por não sabermos por onde começar (e com um misto de sentimento de culpa por ter tudo aquilo), também vem uma coragem de “preciso começar por algum lugar”, ou “não posso manter tudo isso comigo, é muita coisa”. E então, começamos a pegar, peça por peça, e analisar se gostamos realmente dela, se nos sentimos bem, se ela nos traz alegria. Caso contrário, coloquei em uma pilha num canto do quarto pra decidir depois o que faria (doação, venda ou casa de praia).

Dessa vez, a experiência foi muito diferente. Primeiro, pela notável diferença na quantidade de peças, que foi apenas esta pilha da foto acima. Eu sei, parece muito, mas comparando com a do ano passado – que o chão ficou pequeno e precisei usar a cama – eu tinha muito menos peças.

O Processo

Depois de tudo junto, no chão do quarto, peguei peça por peça e fui analisando primeiro, se a cor realmente combinava comigo. Nunca fiz uma análise de paleta de cores por alguma profissional de estilo, mas pelo que li, pesquisei e estudei, descobri que a combinação da minha pele, olhos e cabelos, me levam a uma paleta chamada Inverno Puro.

Como organizei minhas roupas para 2018 (método KonMari) // Vida Minimalista

Com a cartela em mãos, fui percebendo o quanto cores vivas demais me desfavoreciam e o quanto as roupas com as cores que estão na tabela eram as que eu mais gostava de usar. Claro que é tudo uma questão de autoconhecimento e ainda estou no processo, não sou expert em estilo (passo longe!) mas pelo menos percebi que tenho uma noção do que me valoriza e o que não combinava tanto, mas que acabei comprando por achar bonito na loja.

Isso me traz felicidade?

Essa é uma pergunta-chave que devemos fazer durante a arrumação. Se temos uma roupa que temos só porque ganhamos de alguém ou que nunca queremos usar por não nos sentirmos bem, qual a lógica de mantermos em nosso armário? A ideia de Marie Kondo é de trazer felicidade pra nossa vida, e uma boa ajuda é estarmos cercados de objetos, roupas, memórias que nos fazem bem.

Claro que não sigo exatamente tudo que ela fala no livro, tenho algumas opiniões divergentes, mas vou me inspirando e adaptando à minha realidade. Lembram do caminho do meio? Pois é.

Como organizei minhas roupas para 2018 (método KonMari) // Vida Minimalista