
É isso, um ciclo da minha vida está chegando ao fim. Não vou dizer adeus para sempre, por respeito a tudo o que construí nesse tempo, mas acho que talvez caiba nessa situação um “até breve”, “te vejo no futuro”. A questão é que estou percebendo que meu ciclo com o Yoga e Hinduísmo precisa de um ponto final da forma como está sendo atualmente.
Passei muitos anos dedicada exclusivamente aos estudos, pesquisas pessoais, pesquisas acadêmicas, aulas, workshops, cursos ministrados, viagens à India e me joguei 100% em tudo relacionado aos estudos védicos. E o que sinto hoje é uma desmotivação imensa em relação a tudo isso, uma parede na minha frente, uma página em branco que não consigo preencher.
Fazer terapia tem me ajudado muito, desde que tive depressão no começo do ano. E, junto com a terapia, vem a cura de feridas abertas que graças a Deus já estão saradas, mas também uma revisão geral sobre a minha vida num todo. E então que os questionamentos chegaram no meu campo profissional: é isso mesmo o que quero? Estou feliz com isso? Ou no jeito Marie Kondo: isso me traz alegria?
E a resposta foi um tímido “não”. Isso não me traz mais alegria. A chama se apagou. Algo não está mais como antes e minha alegria em me dedicar 100% a isso murchou como uma flor esquecida em um jarro.
Eu lutei demais pra chegar até aqui. Não foi fácil conciliar o mestrado com viagens à India, com as minhas crises e ansiedade que me faziam parar na emergência do hospital. Não foi fácil ver o prazo de 20 dias pra entrega da minha dissertação quando ainda faltava 80% da escrita a ser feita. Não foi fácil enfrentar desafios em aprender a língua sânscrita para estudar os textos sagrados no original, de investir 7, 10, 15 mil reais em cursos de formação, desconstruir o Ayurveda, ir em busca de mestres no interior da Índia… nada disso foi fácil.
Nada disso foi fácil. Mas eu enfrentei tudo sozinha, sem ouvir as vozes que me diziam “vai com calma”, sem ouvir amigos e amigas me aconselhando a não ir tão fundo. Não foi fácil. Mas eu fiz.
Eu fiz pois tudo isso, na verdade, estava longe de ser uma estratégia de qualificação profissional. Tudo isso foi a minha busca pessoal. O meu caminho. Os meus passos na compreensão de algo muito maior. E, sinceramente, tenho certeza de que se fosse apenas por motivos profissionais, pensando em um retorno financeiro, eu não teria feito nem 10%.
Foi uma longa jornada, árdua, cheia de pedras no caminho. Muitas dores, resgates, espinhos. Muito néctar também, desfrutado em meio ao caos. Uma mistura de sensações, sentimentos, emoções. E então eu pensei que esse seria o meu caminho profissional, e fiz de tudo para que o que estava como um pano de fundo na minha vida fosse remanejado para a minha frente. E assim me assumi, tornei o que mais amava em uma profissão.
Mas não dá mais.
Neste momento estou revendo tudo da minha vida. Não tinha como escapar do meu campo profissional.
Eu sou comunicóloga. Tenho especialização e Comunicação em Mídias Digitais. Já trabalhei com fotografia, edição de vídeo, editoração eletrônica. Já tive um blog de sucesso (oi, Vida Minimalista!), já fiz parcerias com empresas bacanas e sustentáveis, já tive um canal no Youtube. Eu tenho outras facetas, outras habilidades que foram colocadas para debaixo do tapete pelo simples motivo de querer me dedicar 100% a algo que antes era apenas parte de mim, e que se tornou o meu todo.
Neste momento, tudo o que quero é me limpar dos rótulos que coloquei em mim mesma, de quebrar essas correntes imaginárias que estão apenas em minha mente e gritar ao mundo: oi! Eu quero voltar a escrever em blogs, quero falar sobre o que falava antes! Quero trazer motivação pras pessoas, quero falar sobre amenidades! Quero trabalhar revisando textos, editando vídeos, ensinando organização. Quero deixar que temas tão íntimos – que se tornaram meu trabalho – continuem aqui, guardadinhos comigo, no meu lar, na minha intimidade.
Foi um erro pegar o que havia de mais precioso e tornar isso o meu trabalho? Não, não foi. Eu puxei o máximo que pude para ver até onde eu era capaz e me surpreendi comigo mesma. Acontece que não preciso mais fazer isso, nem comigo, nem com ninguém. Não há nada mais a ser provado. Eu sou isso. Eu pesquiso os mistérios, acesso conhecimentos secretos, esquecidos, em línguas antigas. Eu percebo que tudo o que vendem em nome do Yoga, do Ayurveda, das ciências védicas em geral não passam de superficialidades moldadas para mentes ocidentais. E acreditem, ninguém quer saber das coisas como são no original. É mais fácil e palatável acreditar nas bobeirinhas nova-era que são inventadas.
Eu não sou a pessoa que vai lutar contra isso.
Hoje eu só quero paz. E voltar a escrever no meu blog, falar de amenidades e ajudar pessoas a enxergarem o potencial que reside nelas mesmas.
Hoje eu só quero destralhar minhas gavetas, compartilhar inspirações da vida e clicar no botão ‘publicar’.
Hoje eu encerro um ciclo, podendo ser por um mês, podendo ser para sempre. Mas eu precisava dizer a mim mesma que no momento, eu não quero mais.
Que possamos caminhar juntos nessa nova fase. Vamos destralhar?