Categorias: Comportamento

A sutil agonia da vigilância

Talvez as coisas estejam indo longe demais. Ou talvez, já há muito tempo perdemos o controle de tudo e só agora estamos percebendo. Eu não sei vocês mas nesses últimos dias algo me incomodou demais em relação à privacidade, e vou contar a vocês.

Domingo fui ao shopping comprar algumas coisas que estava precisando e uma delas foi um shampoo. Um simples shampoo na farmácia. Como já sei o que sempre uso e sou extremamente prática, simplesmente entrei na farmácia, fui direto à prateleira dos produtos de cabelo, peguei o que queria, fui ao caixa, paguei. Ponto. Se levou 5 minutos tudo isso, foi muito!

Pois bem. Desde então, ao chegar em casa e acessar meu email, percebi que havia recebido um email da farmácia pedindo que eu avaliasse o atendimento. Como sempre, deletei e segui a vida. Não gosto – mesmo – dessas avaliações, salvo quando peço algo pelo iFood e sei que o entregador precisa daquilo pra manter seu emprego. Fora isso, acho invasivo receber um email de avaliação de atendimento de uma compra que mal durou 5 minutos. Eu não tive uma experiência de compra. Eu simplesmente fiz o trivial.

Email deletado. Problema resolvido? Não. Hoje é quinta-feira e desde então recebi mais dois emails iguais. Pedindo que eu avaliasse uma compra de domingo, uma compra simples e comum. Minha gente, eu não comprei um carro. Foi um shampoo. Poderia ter sido pior, eu poderia ter comprado uma barra de cereal e comido ali, no mesmo dia. O produto já teria acabado em 2 minutos e os emails continuariam chegando?

Vivemos sendo vigiados constantemente, eu sei. Eu sei que só por ter conta em redes sociais, os “grandes” sabem de toda a minha vida, até que estou solteira, que curso Teologia, que voltei pra Igreja Católica, minha idade, quanto ganho, eu sei, eu sei de tudo isso. Mas é tudo muito bem disfarçado, quase não percebemos essa constante vigilância. Mas convenhamos, há algumas atitudes que nos incomodam, que tocam em um ponto sensível e nos desperta uma agonia sutil de estarmos sendo vigiados. E hoje eu senti isso.

Sei que há muitos métodos, regras, manuais de como melhorar a experiência de compra do cliente blá blá blá. Mas o que as empresas têm que perceber é que uma regra nem sempre vale pra tudo. Receber um carro zero com um laço de fitas é uma coisa. Receber 3 emails pedindo que eu avalie uma compra que fiz em 3 minutos de um shampoo, é outra.

Vocês já passaram por alguma situação semelhante, na qual se sentiram invadidos com emails ou até mesmo vendedores? Conte pra mim sua experiência.

Categorias: Bem-Estar

Bolinhas piscantes e rosto dormente: um relato da minha enxaqueca com aura

blog-enxaqueca-aura | Blog Camile Carvalho Vida Minimalista

Este fim de semana foi um pouco diferente do normal. Tive uma enxaqueca com aura terrível que começou na sexta-feira e se estendeu até o sábado à tarde. No princípio, achei que era apenas uma dor de cabeça normal por ter bebido pouca água ou por ter ficado até a madrugada trabalhando no computador pra entregar algumas peças de divulgação que eu precisava fazer. Mas não foi algo simples e só me dei conta no sábado mesmo, quando precisei faltar à missa (eu canto na missa!) pois mal conseguia abrir os olhos.

Eu tenho um tipo de enxaqueca que é um pouco diferente, apenas 25 % das pessoas têm. Há pessoas que sentem a dor e ficam por dias, disparadas por algum evento específico, como o alto consumo da cafeína, estresse, má alimentação e tantos outros catalogados. A minha enxaqueca é diferente, porém toda organizada (até isso combina comigo). Ela segue o seguinte padrão:

As fases da minha enxaqueca com aura

1 // Aura: o primeiro sinal da minha enxaqueca são os estímulos visuais. Geralmente estou lendo algum texto e percebo que o centro fica embaralhado ou com uma mancha escura, não me permitindo ler. Só consigo com a visão periférica. É como se o centro estivesse vibrando. Sempre começa com um ponto pequeno no centro e vai crescendo. Houve uma vez em que eu enxergava uma espécie de mandala girando no centro da minha visão, que cresceu até tomar conta da minha visão total em aproximadamente uns 10 minutos. Quando tenho isso, já sei que devo tomar o medicamento, me recolher pra um quarto escuro e fechar os olhos, esperando pelas próximas fases.

2 //  Dormência no rosto, braço e mão: assim que o estímulo visual encerra, começo a sentir dormência em um único lado do corpo. Em geral é no lado direito. Não sinto meu rosto, minha pálpebra, o lado do meu lábio, meu braço e mão. Zero sensibilidade. Fico por alguns minutos com essa sensação e, aos pouquinhos, vou voltando a sentir o meu corpo. Quando penso que, enfim, estou melhorando…

3 // A dor de cabeça: e ela vem como uma pancada. BOOM. Do nada, ela inicia e a dor é insuportável. Nesse momento tudo que preciso é ficar no quarto escuro, olhos fechados e tentar dormir. Acho que o medicamento que tomei lá na fase da aura começa a fazer efeito e me dá sonolência. Certa vez, nessa fase, comecei a embaralhar a fala, por isso sempre prefiro dormir.

4 // Ressaca: assim que a dor passa, e ela vai embora do nada, assim como chegou, ainda tenho sensibilidade quanto à claridade. E isso dura por alguns dias. Geralmente sinto dificuldade de enfrentar uma tela de computador, de me concentrar, de participar de atividades… é como uma “preguiça”. Sabe aqueles dias em que estamos exaustas mas ainda temos uma aula à noite e a mente não consegue acompanhar nada, só estamos “existindo”? Fico um pouco assim, apenas “existindo” nos 2 ou 3 dias seguintes.

Periodicidade

O mais estranho da minha enxaqueca é a periodicidade. Tenho notado que os episódios ocorrem a cada 4 anos. Sei disso pois sempre compro uma caixa do medicamento e anoto a data da crise nela. Quando tenho a próxima, o medicamento já está fora da validade e preciso comprar outro. Porém, neste ano é a terceira vez que tenho crise e isso indica que algo não está muito bem com a minha rotina.

Quis escrever esse relato sobre a minha enxaqueca pois a primeira vez que tive, fui pra emergência do hospital por não estar sentindo o meu lado direito do corpo. Lá fui diagnosticada com enxaqueca e medicada. Isso foi por volta de 2005 e eu não conseguia achar informações em lugar nenhum sobre os sintomas visuais. Relatando aqui, talvez esse conteúdo seja útil pra alguém que também, sofre com as bolinhas piscantes antes da cabeça explodir.

Comente aqui abaixo se você tem ou conhece alguém que tem enxaqueca. O que você costuma fazer quando a crise chega?

Categorias: Diário

Destralhe de 2022: começando pela gaveta

Acho que estou andando pra trás. Ou apenas resgatando uma parte de mim que abandonei lá em 2016, quando fui parando de usar o blog. Pois o efeito de voltar a ser blogueira está indo longe demais, ou será que não era exatamente isso que estava faltando em mim? Pois bem, hoje comecei um destralhe aqui em casa.

A ideia era apenas arrumar uma gaveta da minha escrivaninha, mas acabou que já criei um projetão até o final do ano de fazer um super destralhe no meu quarto e mudar muita coisa por aqui. Claro, um projeto desse tipo pra quem está enferrujada não poderia contemplar a casa inteira. Como eu sempre ensinei por aqui: vamos por partes.

A primeira gaveta da escrivaninha é o lugar das tralhas. Sempre, absolutamente sempre que a organizo, ainda assim tenho a sensação de que está bagunçada. Sabe o que reparei? Tenho muitas caixinhas, potinhos, compartimentos, tudo diferente e sem padrão nenhum. Uma coisa que aprendi com anos de organização é que precisamos estar atentas com a estética e padronizar os compartimentos é um salto na sensação de organização. Mas há, também, o outro lado da moeda: sair comprando potes, divisórias, caixas e outras coisas do tipo aleatoriamente não vai resolver o problema. Precisamos primeiro organizar tudo pra depois definir que tipo de compartimento precisaremos em cada lugar.

Primeiro o destralhe, depois a organização, depois comprar o material organizador. Qualquer coisa fora dessa ordem será tempo e energia jogados no lixo.

Pois bem, eu ia apenas arrumar um pouquinho mas acabei me rendendo e tirando a gaveta, colocando tudo no chão. Separei tudo por categorias e percebi que a zona era generalizada, não dava pra arrumar uma única gaveta se todas as outras três estavam bagunçadas. Então, adivinhem, tirei tudo das três gavetas e joguei no chão.

E bateu o desespero.

Toda organização tem aquele momento em que nos vemos sem saída, achando que nunca vamos conseguir colocar tudo em ordem (geralmente quando bate o cansaço). Esse é o ponto de virada, quando começamos, de fato, a colocar as coisas em ordem. Tudo o que precisamos é beber um copo d’água, respirar um ar fresco e continuar na arrumação, sempre com uma sacola ao lado pra lixo/doações.

Começar por uma gaveta abriu as comportas da empolgação de colocar toda a minha vida em ordem. Agora, mais que nunca, quero me planejar para destralhar, desapegar de muitas coisas que já não me representam mais e que ainda estão guardadas por aqui. A sensação que tenho é que não estou apenas iniciando uma vida nova, mas resgatando quem eu sempre fui, e que havia abandonado por um tempo.

Vejam só como isso chega a ser terapêutico: a arrumação, o destralhe e o desapego está me fazendo dar conta de que eu estive, por muitos anos, afastada de mim mesma. Eu consigo enxergar com mais profundidade e muita clareza, mas por enquanto deixarei isso apenas comigo, pra não ter que fugir muito do tema do post de hoje. Pois é, meus amigos, eu tenho muito a escrever ainda por aqui, a criatividade está a mil e cada pedacinho de texto que digito já vem uma nova ideia para um outro post.

Agora eu te pergunto: há quanto tempo você não faz um bom destralhe na sua casa, quarto ou guarda-roupa? Que tal começarmos agora um novo desafio de deixar pra trás tudo o que não combina mais conosco? Quem topa?