Agosto começou com uma energia incrível. Logo no dia 1º tivemos a festa junina (?) do condomínio e eu puxe experimentar aquela sensação maravilhosa de usar minhas botas, sentir o frio no rosto enquanto me aquecia na fogueira acesa. Comidas gostosas e música boa. Caminhei pela natureza à noite, pelas árvores silenciosas e ouvi os sons dos animais noturnos. Imediatamente senti saudade de algo que não sabia bem explicar, mas que estava ali, adormecido dentro de mim.
Ao voltar pro Rio de Janeiro fui percebendo que não estava mais conectada com meus cadernos. O antigo havia acabado no dia 31 de julho e eu precisava começar um novo, mas nenhuma das capas que eu tinha fazia muito sentido. Eu não estava naquela vibe. Mas também não sabia o que eu estava.
Deixei pra lá. Aproveitei alguns dias sem um caderno em específico e, em uma linda noite algo me chamou novamente. Foi no dia 5 de agosto que olhei pra um caderno guardado da capa preta e imediatamente pensei: é esse aqui. Não sei explicar o que acontece com essas escolhas. O que me fez escolher um caderno da capa preta e não o rosa que eu havia planejado? O que há, dentro de mim, que me faz enxergar o mundo de forma diferente, cujas cores chamam mais a minha atenção que outras e, do nada, tudo muda. Aquelas cores que me acolhiam hoje parecem estranhas. Eu não sei explicar.
Aos poucos fui guardando minhas capas rosas. Troquei meu fichário da Cicero (A5) pra capa preta. Peguei meu A6 café pra usar novamente. Resgatei meus cadernos midori da Folkbooks. Escolhi outras canetas, outras cores, outros marca-textos. Mexi em tudo que havia sobre a escrivaninha. Mexi nas prateleiras. Mexi nas roupas e no quarto inteiro. Quando me dei conta, estava mudando tudo, destralhando a cozinha, tirando lixo, tralha, potes plásticos, reorganizando pratos, panelas, roupas, sapatos, cadernos… ahh, cadernos! Peguei uma caixa e fui colocando tudo que não quero mais, tudo que quero vender e tudo que quero doar.
Lua minguante. Cortei o cabelo na altura do peito. Sim, eu que estava com um cabelão quase na cintura, já não me via mais refletida nele. Algo não estava dialogando mais com a imagem que eu via no espelho. Simplesmente desapeguei.
A lua minguante de agosto chegou com tudo. Me fazendo enxugar, reduzir, selecionar. Estou fazendo uma auditoria da minha vida, uma curadoria do que deve e merece ficar.
Este texto era pra ser uns dois parágrafos. Quero usar mais aqui, escrever com calma, com paz, serenidade. Quero deixar de escutar tudo ao meu redor para me concentrar apenas neste texto que surge na tela do app OmmWriter enquanto uso meus fones com cancelamento de ruído. O que isso tem a ver com o momento da minha vida? FOCO.
Quero foco. E sei que só conseguirei obtê-lo ao reduzir estímulos, ruídos, tralhas. Por aqui, a porta de entrada ficará mais criteriosa enquanto deixarei ir com mais facilidade tudo aquilo que não dialoga mais com quem eu sou.
Que agosto seja incrível. Que o novo mood mais terroso, mais denso me acolha e me ajude a manter os pés no chão, mesmo que eu permaneça sempre olhando pro alto. Que não percamos a direção para onde estamos indo.
Hoje acordei um pouco inquieta. Vocês, que me acompanham no meu canal do Youtube provavelmente já sabem que eu amo mudar de planner, criar meus próprios layouts, inventar moda, mas também não abro mão dos produtos da Cicero Papelaria. Ano após ano eu compro, no final do ano, o que pretendo usar no ano seguinte. No entanto, por ser fã de muitas capas diferentes (que vamos combinar, são lindíssimas), acabo tendo diferentes planners, como o semanal, o diário e cadernetas.
Eu estava tomando meu café da manhã e, como sempre, carreguei pra mesa da sala minha caderneta, minha agenda diária e o planner semanal. Por um momento pensei que seria uma boa ideia que a Cicero Papelaria lançasse um planner que abrigasse o modelo semanal seguido do diário, assim eu poderia verificar o calendário mensal, depois ter uma visão geral da semana e pudesse atuar ali, no micro, no dia que está começando pra que eu pudesse anotar tudo que quero fazer no dia, como gosto de fazer. Aliás, isso eu trouxe do Método Bullet Journal: adoro listar tudo que tenho que fazer no dia e, ao longo dele, dar check nas tarefas concluídas e passar o que não dei conta pro dia seguinte. Isso me dá muita clareza mental e senso de que, mesmo naqueles dias mais parados, eu não fui uma inútil.
Compartilhei as ideias pelo Whatsapp com minha amiga Marina, que provavelmente já sabia o que viria a seguir. Seria perfeito se eu pudesse desmontar tanto meu planner semanal quanto a agenda diária pra juntar tudo, obviamente não em uma única espiral pois ficaria gigantesco, mas levando em consideração que estamos em Julho, eu poderia montar um único volume do segundo semestre.
“Ah, mas a capa é tão linda, mexer no wire-o sempre é estranho pois eu nunca consigo fechar adequadamente… eu posso até estragar e vou me arrepender…” – pensei.
Um minuto depois lá estava eu, desmontando tudo e espalhando o caos sobre a minha cama, como eu sempre faço.
Sim, eu fiz isso. Desmontei tanto a agenda diária quanto o planner semanal datado e fui, aos poucos reorganizando tudo. Primeiro, a capa do mês com a visão mensal, depois a parte do planner semanal e em seguida os dias da agenda diária. E ficou bom, mas ficou enorme.
Tive que fazer a divisão e aceitar que em uma única encadernação teria que ficar apenas o segundo semestre. A minha ideia é futuramente comprar espirais transparentes ou brancas maiores pra que eu possa juntar tudo no fim do ano, fazendo um volume único. Sem contar que remanejar folhas usando a espiral é muito mais fácil que com a wire-o, já que eu não tenho máquina usada nesse tipo de encadernação (ainda não… quem sabe, um dia?).
Só tive um único problema, que pra mim parecia mais um charme: como a capa da agenda diária é mais estreita que a do planner, as divisórias ficaram pra fora da capa. Eu poderia ter usado a capa do planner (verde) que é mais larga e igualmente linda, mas eu estava mesmo com vontade de usar a de estampa rosa das margaridas. Aliás, estou fissurada por essa capa! Pra mim não seria um problema manter as abas pra fora, mas eu queria mesmo era que coubessem mais folhas. Então retirei as divisórias e adicionei mais folhas, deixando uma unidade fechada dos meses de abril a dezembro de 2026. Os refis anteriores eu coloquei na capa do planner que tem o wire-o mais estreito, junto com as divisórias.
E assim ficou o resultado final: agora eu tenho a visão mensal, semanal e diária num mesmo volume e não preciso carregar dois planners pela casa quando vou me organizar. Sim, eu sei que o Hobonichi é assim, mas ainda está fora do meu orçamento. Sem contar que eu gosto mesmo é de mexer na papelada, reposicionar, ressignificar. Adoro mudar tudo de lugar, assim como os móveis aqui de casa. Acho que seria incrível se a Cicero Papelaria lançasse um planner semestral com visão mensal, semanal e diária, já que pro ano inteiro o volume seria enorme, por conta da alta gramatura das folhas. Ou então que disponibilizasse o refil de agenda diária também pros planners argolados, de forma que pudéssemos organizar do nosso jeito.
Fiquei feliz com o resultado. Não preciso das divisórias, posso usar as minhas abas adesivas. O único detalhe interessante que só percebi ao fazer essa junção é que o planner semanal tem os cantos retos e a agenda diária tem os cantos arredondados. Mas isso não foi um problema pra mim, pois eu tenho o arredondador de cantos (usei o raio 10, o mesmo que a Cicero usa) e ficou tudo mais harmônico.
Agora posso ficar em paz, com tudo num só lugar – hey, esse não é o lema dos cadernos argolados da própria Cicero?
Até a próxima invenção papelística. Sim, eu sei que não sossego. Logo inventarei mais coisas pra fazer, reorganizar, remontar. Deu até vontade de ter uma máquina encadernadora e sair criando meus próprios cadernos… mas isso eu deixo pra Algum dia, Talvez, bem no modo GTD de pensar…
Esse é mais um daqueles desafios em que eu fiquei pensando em como escrever ou gravar um vídeo sobre o meu sistema de organização em 2026, já que o ano mal começou e eu falo sempre no meu canal do youtube que eu não consigo pensar à longo prazo quando o assunto é organização. Eu acredito em ciclos menores, pois minhas demandas vão mudando de tempos em tempos, então o meu sistema de organização precisa se adaptar aos movimentos da minha vida, não o contrário.
Estamos bem no final do mês e eu consegui, então, gravar um vídeo contando sobre o que eu tenho usado neste primeiro mês de 2026. A ideia de mostrar o que estou usando pra me organizar veio do Projeto Cadernos Compartilhados, criado pela Jeniffer Geraldine, no qual a cada mês vamos fazer uma postagem coletiva (pode ser pelo youtube ou qualquer outra rede social) falando sobre o tema escolhido. Se você quer participar também, basta acessar o post da Jeniffer e entrar em contato com ela deixando o link do seu post.
Como eu já gravei o vídeo no meu canal do youtube, decidi fotografar o que estou usando e postar aqui no blog pra virar uma memória (como todo meu blog) pra que eu mesma possa acessar no futuro. Então, seguindo a ordem do vídeo (que deixarei no fim do post), começaremos pelo meu queridinho:
Kindle Colorsoft
Eu já gravei um vídeo no meu canal mostrando o unboxing do Kindle Colorsoft no dia em que ele chegou aqui em casa e eu simplesmente amei a possibilidade de termos uma tela colorida, depois de muitos e muitos anos usando o tradicional e-ink apenas em preto e branco. No meu Kindle, deixo livros acadêmicos mas não faço apenas leituras mais sérias: gosto daqueles livrinhos de leituras de rede, leves, inspiradores e que nos movem.
Meus livros preferidos são os de organização pessoal, produtividade e budismo. Na foto, mostro um livro acadêmico, escrito pelo meu orientador e que está disponível para download gratuito no site da editora. Minha pesquisa se debruça sobre o silêncio, então essa leitura, para mim, é obrigatória. Dei sorte, pois eu realmente amo esse tema.
Portanto, o Kindle entra como uma ferramenta de organização, visto que tenho usado bastante para ler livros sobre organização, sobre produtividade e principalmente sobre a minha pesquisa do doutorado. Gosto de fazer as marcações usando um código de cores e, no computador, vou passando os principais trechos para um documento do gdocs correspondente ao texto que estou lendo. Acho que esse papo vai virar um post bem específico no futuro, assim como um vídeo pro youtube também.
Meu caderno de tudo da Tilibra
Esse é um queridinho que já uso há muitos anos. Acredito que comecei a usar um caderno pra tudo por volta de 2015 ou 2016. Usava um caderno enorme tamanho universitário, com umas 20 matérias. Ele era tão pesado, tão trambolho, que eu nem carregava pra canto nenhum, o deixava apenas em casa. Quando completei aquele cadernão, comprei o tamanho colegial com 10 matérias da Tilibra e tudo ficou mais leve!
Esse caderno comecei em 2025, no ano passado, mas já havia completado um outro anterior, do mesmo tamanho, que comecei ali em meados da pandemia. A minha ideia é que eu escreva simplesmente o que eu quiser nele. Sabe quando precisamos de um papel pra escrever alguma ideia, fazer um desabafo, fazer uma conta do cartão de crédito e procuramos um papelzinho solto pra isso? Pois então, é pra isso que eu uso esse caderno.
Todo despejo mental vai diretamente nele. Já experimentei outros cadernos pra isso, com a caderneta A5 da Cicero, mas agora em janeiro acabei voltando mesmo pro bom e velho colegial da Tilibra. Vou deixar o link pra vocês aqui, embora seja de outra capa, pois essa havia comprado há anos e estava guardado pra quando o anterior acabasse.
Caderno Inteligente A5
Eu sou a louca do A5. Amo demais esse tamanho, pois é compacto e funciona muito bem pra mim. Comecei a usar o Caderno Inteligente por volta de 2022 e desde então já testei de diferentes tamanhos, descobrindo que meus preferidos são os tamanhos A5 e Inteligine. Não me adaptei tanto ao tamanho médio, muito menos ao grande.
Neste caderno eu coloco ideias de organização, produtividade, anoto ideias brilhantes, capturas de vídeos de yourube, ou seja, tudo que eu achei incrível pra ser aplicado na minha vida agora ou em algum dia, talvez. O legal de folhear meu CI é que sempre vou abrir em alguma página inspiradora que reflete como eu estava me organizando em algum momento da vida ou me dando uma pista do que eu posso testar no momento.
Eu acho que esse é o verdadeiro caderno criativo e, seguindo a Marie Kondo, ele me traz alegria. 🙂
Agenda diária Cicero (Coleção Melissa)
A agenda diária da Cicero serve hoje como um caderno de organização do meu dia. Se eu tenho algum compromisso mais pra frente, vou até aquela página e anoto o compromisso em seu respectivo horário. A minha ideia é que eu o trate com leveza, sem muita cobrança, como eu fazia com as agendas de antigamente dos anos 90/2000. Se em um dia eu não quiser escrever nada, tudo bem. Se hoje eu quiser desabafar, colar papel de bala, washi tape, fotografia, tarefas do dia, será isso que vou fazer.
A ideia é que ele siga sendo um livro da minha vida acontecendo. Nada muito planejado, nada muito perfeito, afinal, a vida não é nada perfeita. Há dias em que estamos super empolgadas com a papelada, há dias que passam tão corridos que mal temos tempo de pegar um papel e caneta. E assim vou usando em janeiro minha agenda diária que, num futuro, poderei folhear e perceber como a minha vida estava ao longo do ano. Mas uma regra é não ter regra. Aliás, a regra principal é não me cobrar com nada. Ele vai fluindo conforme vou vivendo, até o dia em que eu enjoar e mudar de ideia.
Fichário A5 Cicero (Caderno Criativo)
Esse fichário se chama Caderno Criativo e é da Cicero Papelaria (que aliás, eu tenho um cupom de desconto no site: C1039). Há momentos em que eu estou na vibe dos cogumelos, tons terrosos e florestais. Mas há momentos do ano em que eu estou toda rosa (perceberam que tudo até agora é rosa?). Pois bem, eu uso esse fichário desde 2023 como um lugar de memórias. Imprimo várias coisas no papel A5 (comprei uma resma na Shopee), escrevo sobre algo que me aconteceu e que me marcou, desabafo, enfim, vou criando meu cantinho das memórias. Ele é algo mais intencional, diferente do caderno de tudo que vejo como uma caixa de entrada, algo não muito elaborado (mas que guarda ouro no meio do caos).
Gosto de personalizar meu fichário todo ano. Colo washi-tapes, adesivos que eu mesma imprimo, vou colocando vários papeizinhos aleatórios, faço colagens nas folhas, imprimo moodboards, ideias, textos acadêmicos, enfim, tudo que eu quiser guardar como memória.
Amo essa possibilidade de imprimir o que eu quiser e colocar ali. Não tem muita regra também, e esse é o ponto positivo, pois o resultado final fica bem caótico, como todos nós somos.
iPad Mini 6 + GoodNotes
No vídeo do youtube eu falei que estava usando o iPad Mini 6, mas expliquei rapidamente que usava o Apple Notes pra rabiscar qualquer coisa que estivesse na minha mente, como se fosse um caderno de tudo, mas no digital. Mas então, fotografando pra esse post, me dei conta que preciso, depois com calma, explicar melhor como está meu sistema no digital. Tenho usado o GoodNotes apenas para fins acadêmicos. Não uso pasta nenhuma, apenas os arquivos em pdf dos artigos que estou usando pra minha tese.
Assim como no Kindle, gosto de ler, anotar, marcar com várias cores e depois, com calma, organizar num Google Docs tudo sobre cada um dos textos. Como estou experimentando esse sistema agora, ainda tenho muitas notas espalhadas de outros apps que usava anteriormente, como Obsidian, Evernote etc., mas aos pouquinhos estou organizando.
iPad Mini 6 + Google Drive
Assim fica o meu Google Drive, dentro da pasta Biblioteca da Tese. Coloco ali os artigos crus (os mesmos que vão pro GoodNotes) e, ao lado deles, o doc correspondente. Eu tenho uma mania desde o mestrado, que é nomear os arquivos como:
Autor, ano – obra
exemplo:
Crary, 2016 – Capitalismo Tardio
Assim, todos os artigos e livros do mesmo autor ficam juntos, em ordem de publicação (ano) e fica tudo muito mais organizado. Mas acho que isso é papo pra um próximo post ou vídeo, mais aprofundado.
Aqui não consegui falar tudo que gostaria, pois ficaria um post gigante, mas me aprofundei mais no meu vídeo do youtube. Deixo aqui pra vocês o vídeo pra que vocês possam desfrutar e entender melhor como estou usando tudo isso que mencionei aqui.