O que é viver uma vida minimalista?

O que é ter uma vida Minimalista? | camilando.com #vidaminimalista

Desde que iniciei minha busca por uma vida mais completa, mais realizada e com menos distrações, fui conhecendo aos poucos alguns blogs e livros sobre o minimalismo. A ideia de desapegar daquilo que não faz mais sentido em nossas vidas combinou tanto com o momento em que eu estava vivendo, que iniciei este processo de doações, de reduzir compromissos, de repensar meu consumo e me dedicar mais ao que gosto.

No entanto, muitos ainda se questionam sobre a quantidade ideal de roupas, de sapatos, como viver neste estilo de vida, qual a fórmula mágica e o que fazer com o vazio quando nos encaixamos, finalmente, no esquema. Me preocupa muito quando alguém chega a se sentir mal por querer tanto aquele sapato novo, mas não poder comprar, pois “assinou um contrato” com o estilo de vida minimalista e não pode ser um perdedor. Me preocupa também quando pessoas se sentem vazias, sem perspectiva, tristes, depois que reduziu o máximo que pôde suas roupas, seus compromissos, sua vida.

Ter uma vida minimalista não é ter menos do que precisa. É ter o suficiente. É não se deixar levar pela correnteza. É comprar sem culpa, mas com consciência, sabendo que aquilo que está adquirindo é realmente útil e necessário. É saber que tudo o que temos em casa, há uma finalidade. É não deixar objetos e roupas estagnadas num canto, acumulando poeira, enquanto há tantos que precisam. É viver com menos preocupações. Uma vida minimalista te dá as rédeas de sua própria vida, sabendo, no entanto, que nada é permanente. É estar satisfeito com o presente, mas preparado para mudanças futuras.

Uma vida minimalista jamais deve nos causar dor, mas sim, felicidade. É viver de uma forma mais simples independente de quantos objetos temos. Não é uma autopunição, não é castigo. É valorizar os pequenos momentos, valorizar o que conquistamos, seja material ou não. É saber que não importa o que fala a publicidade, pois meu celular do modelo passado atende às minhas necessidades.

Uma vida minimalista nos faz abrir os olhos e estar conscientes de que, se vamos entrar no jogo dos outros, do consumo, das compras, é porque escolhemos, naquele momento, entrar.

Ter uma vida minimalista não é, jamais, estar preso a regras e normas ditatoriais. Muito pelo contrário, é você criar suas próprias regras, as que melhor se enquadram em você.

Não se deixem levar por regras. Sejam livres! Quanto mais obtemos conhecimento, mais nos libertamos. Portanto, se alguém acha que ter uma vida mais simples, minimalista, é viver sob regras, normas e sentimentos de culpa por ter comprado – escondido – aquele sapato lindo, está enganado. Somente nós somos capazes de saber o que é o melhor para nossas vidas. Portanto, conversem, debatam, discutam, leiam muito, cada vez mais, mas jamais deixem que normas de conduta controlem seu estilo de vida. Minimalismo é liberdade. Minimalismo é viver uma vida ampla, com menos preocupações e repleta de realizações.

Há tantas definições que eu poderia citar, mas como eu sempre falo, o que serve para mim, pode não servir para você. E o que se encaixa hoje, amanhã pode não mais funcionar. Seja livre para criar suas próprias regras e inspire-se com exemplos de vida, teste, experimente. Se não gostar, abandone, mude, adapte. Pois a nossa beleza está justamente na individualidade.

E você, como enxerga o minimalismo?

Primeiros passos para uma vida minimalista

Os primeiros passos para uma Vida Minimalista | Vida Minimalista | vidaminimalista.com

Como iniciar uma vida minimalista? Essa talvez possa ser uma dúvida de muitos leitores, e foi a partir da pergunta da leitora Juliane Soares que resolvi dar algumas dicas de como começar. Vale lembrar que não é um manual rígido, cada um tem seu tempo e sua maneira de encarar mudanças, mas são dicas essenciais para quem está disposto a mudar seus hábitos.

1) Mude seu pensamento

O primeiro passo para uma mudança é, sem dúvida, no modo de pensar. Quando nos damos conta de que tem algo que nos incomoda e identificamos como podemos solucionar o problema, já é uma mudança enorme. Sem nossa mente em sintonia, dificilmente conseguiremos adotar novos hábitos, portanto, a primeira mudança que devemos fazer é no modo de pensar. “Eu quero me tornar uma pessoa melhor, não preciso ser tão consumista, há algo de errado na sociedade e eu quero refletir sobre meus hábitos”. Pensando assim, qualquer decisão ficará mais fácil.

2) Estabeleça metas

Como você quer viver sua vida? Pretende ser mais radical e se livrar de quase tudo ou apenas organizar alguns cômodos da sua casa? Como vai enfrentar esse novo desafio? Está disposta a abrir seu guarda-roupas e reduzi-lo pela metade? Anote em um papel o que você deseja como resultado final e o que vai fazer para alcançá-lo.

3) Divida em áreas

Não faça tudo de uma só vez, pois você provavelmente ficará sobrecarregado e não conseguirá dar conta de uma casa inteira em apenas um final de semana. Divida em áreas pequenas de acordo com sua disposição de tempo e energia. Por exemplo, uma das divisões pode ser seu quarto, caso você tenha um final de semana e disposição para dedicar-se a ele. Caso seu tempo seja menor, estabeleça metas de organizar uma gaveta do armário por vez. Apenas não tente planejar uma área muito grande para, caso não consiga termina-la como planejado, não ficar desestimulado.

4) Estabeleça recompensas

Após um dia inteiro de destralhamento, organização e faxina na sala de estar, que tal receber uma recompensa de um bom filme com pipoca, ou sair para passear com os amigos? Não se cobre tanto, se esforce quando necessário, mas também relaxe quando acabar. As recompensas são merecidas formas de incentivo.

5) Comece destralhando

Não há organização quando há tralhas. De que adianta você gastar seu tempo arrumando lugar para lixo? O primeiro passo da organização em si é o destralhamento. Não tenha dó. Jogue no lixo (envie para reciclagem!), doe, venda, mas não fique com o que não lhe serve mais. Depois de reduzir os objetos que possui, ficará muito mais fácil de organizá-los.

6) Reduza o consumo

Não adianta reduzir 50% do seu guarda-roupas e depois parar no primeiro shopping e estourar o cartão de crédito comprando mais. Adquira novos itens com consciência, para manter uma vida minimalista. Se não precisa, não compre.

7) Leia e conecte-se

Leia bastante sobre o assunto. Na internet temos um vasto material de pessoas que, como eu, adotaram esse estilo de vida. Há também livros sobre organização que também são muito úteis. Faça amizade com pessoas que pensam como você, pois assim se formará uma rede de incentivos, o que é muito importante, para não desanimar. Foi para isso que criei o Grupo do Vida Minimalista no Facebook, para que todos possam trocar ideias e compartilhar as dificuldades e dicas.

8) Desconecte-se

Essa dica pode contradizer com a anterior, mas o que quero falar aqui é que, você não precisa passar o dia inteiro nas redes sociais. Desligue um pouco o computador, leia um livro, passe um tempo com pessoas queridas, saia ao ar livre, faça um exercício e se alimente bem. Tenha foco. Quando for a hora de conectar, reserve aquele momento para isso. Leia blogs, converse no Facebook, responda emails, assista vídeos no youtube, mas não deixe que isso tome todo o seu tempo. Saiba a hora de parar. Se quiser uma dica para não se perder com o tempo, leia sobre a Técnica Pomodoro.

9) Mantenha o ambiente limpo

A limpeza é fundamental para que possamos viver com tranquilidade e quanto menos objetos e enfeites tivermos, mais fácil o processo. Imagine limpar uma estante cheia de bonequinhos bibelôs, porta-retratos e outras coisinhas? Agora imagine limpar uma superfície com apenas 2 ou 3 enfeites bonitos? Não é muito mais fácil manter limpo e arrumado um local com pouca tralha?

10) Simplifique sempre

Há diversos métodos para se tornar minimalista, aumentar a produtividade com siglas, materiais caros, livros e mais livros… Calma. Relaxe. O que é bom para um executivo pode não ser bom para você. Leia sobre diversos métodos, conheça-os, se informe, busque o conhecimento mas tente buscar a solução na simplicidade. Nem sempre ter um Moleskine caro e uma caneta da marca X é sinônimo de produtividade. Busque o que encaixe com você, com suas condições financeiras e seu estilo de vida. Não tem um iPhone para anotar sua lista de afazeres? Compre um caderninho de R$ 1,00. Simplifique e não se deixe levar pelo eco eterno do “compre… compre… compre…”. Você é a melhor pessoa para determinar o que é o melhor para si.

Acho que o mais importante para iniciar uma vida minimalista é a consciência do porque estar tomando essa decisão e o que você espera com a mudança. Não há sensação melhor que obter resultados, mesmo que sejam parciais. Comece por algo, experimente. Tenho certeza que após o primeiro passo, tudo ficará mais fácil.

“Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer.” ~ Gandhi

Vida sem papel – paperless

Muito se tem discutido em relação à substituição do papel por conteúdo digital. É certo que vivemos em uma era de transição, onde ainda precisamos do suporte físico pra livros, contas, boletos e extratos, mas já há pessoas que estão no desafio de viver apenas com documentos digitais.

A UFSC lançou uma campanha bacana que visa racionar o uso do papel na instituição. Com o intuito de economizar recursos naturais e agilizar os processos administrativos, o reitor anunciou no dia 18 de Outubro de 2010 a digitalização de todos os documentos e processos da universidade.

Para o blogueiro Radamés, viver sem papel não é fácil, mas com certeza um ato ecológico. Ele apóia a iniciativa de algumas empresas em enviar documentos em forma digital, e espera que um dia a assinatura on-line de um jornal passe a ser preferencial.

No meu caso, estou no processo de digitalizar todos os textos da faculdade. Para minha sorte, muitos livros que os professores recomendam se encontram em domínio público, podendo ser baixados da internet ao invés de comprá-los, o que gastaria dinheiro e seriam mais uma tralha dentro de casa pois geralmente lemos uma só vez e deixamos na prateleira empoeirando. Porém, nem sempre temos o livro digitalizado em PDF, e acabo tendo que recorrer à livraria. Quando isso acontece, prefiro pesquisar num sebo ou pelo site Estante Virtual. Comprando usado dou a chance daquele material ser aproveitado mais vezes, e quando não preciso mais, tenho maior desprendimento em passar adiante do que um livro novo lido apenas uma vez. Mantenho apenas um resumo deles em forma de mapas mentais.

Porém, meu maior desafio é, sem dúvida, as milhares de cópias que precisamos tirar para as aulas. Na faculdade trabalhamos com a seguinte proposta: A cada final de aula, o professor disponibiliza um texto na xerox para que possamos fazer a cópia e ler em casa pra próxima semana. Resultado: Filas quilométricas na porta da copiadora, muito dinheiro gasto (levando em consideração que todo dia temos cópias a tirar) e muito papel guardado em casa sem utilidade. Se formos pensar que por dia copiamos 10 folhas de papel, minha turma de 30 alunos gasta 300 folhas, ou seja, mais de uma resma de 500 folhas a cada dois dias,  o que daria… uma árvore em menos de 40 dias. (Cada árvore gera 20 resmas de papel). Isso calculando por baixo, e apenas em uma turma…

O que fazer? No meu caso escaneio os textos e tento doar a algum aluno que ainda não fez a cópia, e pego alguns textos de amigos que já leram pra digitalizar, mas não é o suficiente. Sinto falta de uma iniciativa por parte dos próprios professores. Se seus textos são digitados, impressos e disponibilizados para os alunos copiarem, por quê não enviá-los também por email?

Nós, seres humanos, ainda temos o hábito de gastar, consumir, armazenar, e para que possamos viver melhor e em “acordo” com o planeta em que vivemos, é essencial que mudemos nossos hábitos. Primeiro precisamos da conscientização, e depois, da ação. Apenas reduzindo nosso consumo em geral, podemos nos tornar grandes colaboradores para a preservação do meio ambiente.

E você? Como lida com os papeis? Vamos reduzir?