
Desde que iniciei minha busca por uma vida mais completa, mais realizada e com menos distrações, fui conhecendo aos poucos alguns blogs e livros sobre o minimalismo. A ideia de desapegar daquilo que não faz mais sentido em nossas vidas combinou tanto com o momento em que eu estava vivendo, que iniciei este processo de doações, de reduzir compromissos, de repensar meu consumo e me dedicar mais ao que gosto.
No entanto, muitos ainda se questionam sobre a quantidade ideal de roupas, de sapatos, como viver neste estilo de vida, qual a fórmula mágica e o que fazer com o vazio quando nos encaixamos, finalmente, no esquema. Me preocupa muito quando alguém chega a se sentir mal por querer tanto aquele sapato novo, mas não poder comprar, pois “assinou um contrato” com o estilo de vida minimalista e não pode ser um perdedor. Me preocupa também quando pessoas se sentem vazias, sem perspectiva, tristes, depois que reduziu o máximo que pôde suas roupas, seus compromissos, sua vida.
Ter uma vida minimalista não é ter menos do que precisa. É ter o suficiente. É não se deixar levar pela correnteza. É comprar sem culpa, mas com consciência, sabendo que aquilo que está adquirindo é realmente útil e necessário. É saber que tudo o que temos em casa, há uma finalidade. É não deixar objetos e roupas estagnadas num canto, acumulando poeira, enquanto há tantos que precisam. É viver com menos preocupações. Uma vida minimalista te dá as rédeas de sua própria vida, sabendo, no entanto, que nada é permanente. É estar satisfeito com o presente, mas preparado para mudanças futuras.
Uma vida minimalista jamais deve nos causar dor, mas sim, felicidade. É viver de uma forma mais simples independente de quantos objetos temos. Não é uma autopunição, não é castigo. É valorizar os pequenos momentos, valorizar o que conquistamos, seja material ou não. É saber que não importa o que fala a publicidade, pois meu celular do modelo passado atende às minhas necessidades.
Uma vida minimalista nos faz abrir os olhos e estar conscientes de que, se vamos entrar no jogo dos outros, do consumo, das compras, é porque escolhemos, naquele momento, entrar.
Ter uma vida minimalista não é, jamais, estar preso a regras e normas ditatoriais. Muito pelo contrário, é você criar suas próprias regras, as que melhor se enquadram em você.
Não se deixem levar por regras. Sejam livres! Quanto mais obtemos conhecimento, mais nos libertamos. Portanto, se alguém acha que ter uma vida mais simples, minimalista, é viver sob regras, normas e sentimentos de culpa por ter comprado – escondido – aquele sapato lindo, está enganado. Somente nós somos capazes de saber o que é o melhor para nossas vidas. Portanto, conversem, debatam, discutam, leiam muito, cada vez mais, mas jamais deixem que normas de conduta controlem seu estilo de vida. Minimalismo é liberdade. Minimalismo é viver uma vida ampla, com menos preocupações e repleta de realizações.
Há tantas definições que eu poderia citar, mas como eu sempre falo, o que serve para mim, pode não servir para você. E o que se encaixa hoje, amanhã pode não mais funcionar. Seja livre para criar suas próprias regras e inspire-se com exemplos de vida, teste, experimente. Se não gostar, abandone, mude, adapte. Pois a nossa beleza está justamente na individualidade.
E você, como enxerga o minimalismo?

