Sobre objetos e as memórias

Sobre objetos e memórias | Vida Minimalista | camilando.com

Objetos guardam memórias. Mesmo que não percebamos, todas as vezes que interagimos com algo, seja ele um bloco de anotações ou uma roupa, entramos em contato com sentimentos e sensações que tais objetos nos causam. Aquela roupa que estávamos usando no dia do fim de um relacionamento raramente nos trará alegria ao ser usada novamente. Aquele brinquedo que nos acompanhou nos melhores momentos da infância provavelmente nos fará sorrir.

O problema de pessoas acumuladoras talvez não seja a quantidade em si de objetos que guarda, mas sim as diferentes sensações que estes causam ao serem vistos, manipulados ou usados. Quando temos um guarda-roupas cheio, daqueles que nem sabemos o que de fato está ali guardado, temos uma mistura de sensações, sentimentos e impressões em cada roupa, tanto boas quanto ruins, que acabam nos desanimando cada vez que decidimos organizá-lo. Enfrentar a confusa carga de sentimentos é difícil de lidar.

Por outro lado, quando mantemos objetos que nos trazem boas sensações, dificilmente será uma tarefa árdua manipulá-las, organizá-las e usá-las. Um guarda-roupas composto de roupas seletas, aquelas que realmente gostamos muito e que nos trazem boas lembranças e alegria é muito melhor aproveitado do que um que carrega energias de tristeza e más recordações.

A solução neste caso seria separar o que nos é muito querido daquilo que nos traz más sensações. Uma roupa com a qual passamos por uma situação triste – e nos faz recordar a cada vez que usamos – pode ser doada a quem precisa ou, quem sabe, “reprogramada” caso a memória ruim seja substituída por outra boa de um novo momento. O que não podemos é guardar objetos que nos deixam pra baixo cada vez que os encaramos. Desapegar de lembranças ruins pode não ser fácil, mas é libertador quando, após uma arrumação, mantemos apenas o que nos faz bem.

Vamos nos libertar do que nos traz más sensações?

Vamos usar todas as nossas roupas?

Vamos usar todas as nossas roupas? | Vida Minimalista

Eu sempre tive um guarda-roupas bem aleatório. Com roupas de frio, estampas coloridas, sapatos que nem sabia que tinha e diversos vestidos. Mas nem tudo combinava entre si, então decidi, aos poucos, me desapegar das roupas que não combinavam tanto com minha personalidade, roupas que não cabiam direito em mim, roupas que não caiam bem em meu corpo e aquelas que não combinavam com nenhuma peça que eu já tinha.

Não foi (nem está sendo) um processo fácil, pois preferi me desfazer aos poucos do que eu não queria mais e comprar, em pequenas etapas, roupas que complementariam meu guarda-roupa.

O primeiro processo pra montá-lo foi descobrir como eu gostaria de me apresentar ao mundo. Não adianta eu tentar ressaltar uma qualidade minha se o tipo de roupa que visto não condiz com nossos desejos. Não é que devamos nos apegar completamente à roupa em detrimento de nossa personalidade, mas sim, tentar valorizar quem somos através da nossa imagem pessoal.

Descobri que tons cinzas, pretos e brancos combinam bem comigo e me trazem uma imagem de maior sobriedade. Coloridos não combinam tão bem comigo, até tentei usar roupas coloridas durante algumas semanas de março, mas não gostei muito do resultado. Assim, descobrindo o que fica bem e o que não fica, foi o momento de selecionar melhor o que iria usar no meu dia-a-dia.

Outra decisão que tomei foi de usar minhas melhores roupas, mesmo que seja pra assistir uma aula na faculdade. Todo evento da minha vida é importante e não há motivo pra me vestir mal em alguns e bem em outros. Com este pensamento, tirei a poeira de botas que quase nunca usava por não ter uma situação ideal. Coloquei em uso aquela bolsa esquecida no guarda-roupa e passei a usar aquela blusa que guardava para um dia especial.

Eu mereço usar o melhor que tenho, pois minha vida está acontecendo agora. É o hoje que importa e não o amanhã, quem sabe. É hoje que vou me vestir bem e que vou me olhar no espelho e gostar da imagem ali refletida. A partir de hoje não deixarei mais nada guardado no fundo do armário, pois quem usará, afinal, minhas botas escondidas naquela caixa no fundo do armário?

E vocês, usam todas as roupas que têm ou esperam um momento ideal pra usá-las?

Os estereótipos minimalistas

É verdade que quando conheci o minimalismo, me inspirei com fotos de ambientes limpos, claros e com poucos objetos. Aquela mesa de trabalho sem papel nenhum me fazia imaginar que eu seria muito mais produtiva se trabalhasse e estudasse em um ambiente igual. Mas nem sempre nossa realidade é como mostrada nas fotografias. E aí entra a questão do estereótipo: será que, como regra para ser minimalista, devemos ter um ambiente com quase nenhum objeto? Uma mesa com quase nada em cima? Será que não estamos seguindo também um padrão pré-determinado sem pensarmos em nossas realidades e necessidades individuais?

Tudo bem que eu sei que muitos possuem um ambiente assim (eu acho lindo e super inspirador, às vezes faço minhas arrumações e deixo tudo clean) mas confesso que fiquei pensativa com uma postagem de um Tumblr que acompanho (Minimalismo) que fez um questionamento:

Why a minimalist desk is always like this ?

  • A desk and chair, usually white.
  • An Apple computer, usually MacBook Pro.
  • A writing notebook.
  • A pencil.
  • A coffee cup.
  • A green plant.

Remark: usually no charger connected.

Traduzindo:
Por que uma mesa minimalista é sempre desse jeito?

  • Uma mesa e uma cadeira, geralmente branca.
  • Um computador Apple, geralmente MacBook Pro.
  • Um caderno de anotações.
  • Um lápis.
  • Um copo de café.
  • Uma planta verde.

Enquanto li os itens, olhei pra minha mesa de trabalho, que estava mais ou menos assim:

  • PC desktop (da casa, quase não funciona mais :/)
  • Caderno de anotação
  • Canetas
  • Carta do banco + cartão
  • Livro jogado
  • Casaco pendurado no encosto da cadeira
  • Porta lápis com canetas coloridas
  • Copo de água
  • R$ 10
  • Fone de ouvido
  • Post-its e tags
  • Gnomo da sorte
  • Mouse + mouse pad

Então resolvi arrumar minha mesa para me enquadrar na mesa padrão de um minimalista segundo o questionamento do post do Tumblr:

Estereótipos minimalistas | Vida Minimalista | vidaminimalista.com

  • MacBook
  • Lápis
  • Caderno
  • Caneca (Sem café, desculpa)
  • Planta verde

Eu poderia dizer que esta é a minha realidade. Que nunca tenho nada espalhado sobre a mesa. Que só possuo estes objetos. Mas isso não é real! Você pode ser minimalista do seu jeito. O caminho do minimalismo é o SEU caminho, não o dos outros. Jamais tente ser quem você não é. Seja você, aprenda a se amar, use os exemplos de vida/quarto/mesa dos outros, como inspiração. Adapte! Faça do seu jeito!

Não seja uma cópia, não tente comprar algo pra se enquadrar em um determinado grupo. Jamais perca sua essência para ser aceito. Busque o seu minimalismo. Inspire-se e aplique tudo o que for bom dentro de seus limites, suas possibilidades. Porque na verdade, não é o que está sobre sua mesa que importa, mas quem você é.