Destralhe de 2022: começando pela gaveta

Acho que estou andando pra trás. Ou apenas resgatando uma parte de mim que abandonei lá em 2016, quando fui parando de usar o blog. Pois o efeito de voltar a ser blogueira está indo longe demais, ou será que não era exatamente isso que estava faltando em mim? Pois bem, hoje comecei um destralhe aqui em casa.

A ideia era apenas arrumar uma gaveta da minha escrivaninha, mas acabou que já criei um projetão até o final do ano de fazer um super destralhe no meu quarto e mudar muita coisa por aqui. Claro, um projeto desse tipo pra quem está enferrujada não poderia contemplar a casa inteira. Como eu sempre ensinei por aqui: vamos por partes.

A primeira gaveta da escrivaninha é o lugar das tralhas. Sempre, absolutamente sempre que a organizo, ainda assim tenho a sensação de que está bagunçada. Sabe o que reparei? Tenho muitas caixinhas, potinhos, compartimentos, tudo diferente e sem padrão nenhum. Uma coisa que aprendi com anos de organização é que precisamos estar atentas com a estética e padronizar os compartimentos é um salto na sensação de organização. Mas há, também, o outro lado da moeda: sair comprando potes, divisórias, caixas e outras coisas do tipo aleatoriamente não vai resolver o problema. Precisamos primeiro organizar tudo pra depois definir que tipo de compartimento precisaremos em cada lugar.

Primeiro o destralhe, depois a organização, depois comprar o material organizador. Qualquer coisa fora dessa ordem será tempo e energia jogados no lixo.

Pois bem, eu ia apenas arrumar um pouquinho mas acabei me rendendo e tirando a gaveta, colocando tudo no chão. Separei tudo por categorias e percebi que a zona era generalizada, não dava pra arrumar uma única gaveta se todas as outras três estavam bagunçadas. Então, adivinhem, tirei tudo das três gavetas e joguei no chão.

E bateu o desespero.

Toda organização tem aquele momento em que nos vemos sem saída, achando que nunca vamos conseguir colocar tudo em ordem (geralmente quando bate o cansaço). Esse é o ponto de virada, quando começamos, de fato, a colocar as coisas em ordem. Tudo o que precisamos é beber um copo d’água, respirar um ar fresco e continuar na arrumação, sempre com uma sacola ao lado pra lixo/doações.

Começar por uma gaveta abriu as comportas da empolgação de colocar toda a minha vida em ordem. Agora, mais que nunca, quero me planejar para destralhar, desapegar de muitas coisas que já não me representam mais e que ainda estão guardadas por aqui. A sensação que tenho é que não estou apenas iniciando uma vida nova, mas resgatando quem eu sempre fui, e que havia abandonado por um tempo.

Vejam só como isso chega a ser terapêutico: a arrumação, o destralhe e o desapego está me fazendo dar conta de que eu estive, por muitos anos, afastada de mim mesma. Eu consigo enxergar com mais profundidade e muita clareza, mas por enquanto deixarei isso apenas comigo, pra não ter que fugir muito do tema do post de hoje. Pois é, meus amigos, eu tenho muito a escrever ainda por aqui, a criatividade está a mil e cada pedacinho de texto que digito já vem uma nova ideia para um outro post.

Agora eu te pergunto: há quanto tempo você não faz um bom destralhe na sua casa, quarto ou guarda-roupa? Que tal começarmos agora um novo desafio de deixar pra trás tudo o que não combina mais conosco? Quem topa?

Nada substitui o bom e velho computador de mesa

Nada substitui o bom e velho computador de mesa | Camile Carvalho | camilecarvalho.com

Não dá pra fazer nada direito no improviso. Sei que cada vez mais estamos usando o celular pra tudo, mas nada supera a experiência de organizar a mesa de trabalho, sentar em uma cadeira confortável e ligar o computador, mantendo a grande tela diante de nossos olhos enquanto digitamos calmamente um texto importante. Podem falar o que for, que o iPad, o tablet, o Kindle, o smartphone e o que mais surgir substituirão o computador de mesa, mas para mim – talvez por eu ser das antigas – não há nada que o substitua.

Eu vou contar o que aconteceu nesses últimos anos e então vocês compreenderão o meu posicionamento.

Tenho um iMac de 2012 (poderia ser qualquer pc, a marca e modelo não alteram a narrativa). Durante todos os meus anos de blogueira, sempre tive o prazer de me sentar na escrivaninha, ligar o computador, abrir um editor de textos (usei por muitos anos o Focus Writer) e simplesmente despejar as palavras. Minhas mãos digitando no teclado corriam para acompanhar o meu raciocínio. Sim, porque eu não sou muito de pensar e nem planejar. Eu escrevo quando surge a ideia e eu só preciso da primeira frase.

A escrita espontânea sempre fez parte da minha vida, apesar de eu já ter dado aulas como professora de redação, nas quais ensinava aos alunos do vestibular toda aquela estrutura exigida pelo ENEM. Eu sou da espontaneidade. Eu gosto de telas brancas. Talvez a minha ansiedade desenvolvida durante a escrita da dissertação do mestrado tenha sido devido ao engessamento da escrita acadêmica, pela estrutura dos temas, tópicos etc. Talvez sim. Talvez não. Mas isso não importa agora. Voltemos à escrita que flui…

Meu computador estava velho

Enfim, desde 2018, meu velhinho computador começou a dar sinais de lentidão. Eu já não conseguia mais abrir o MS Word pra escrever nada. Quando abria várias abas no Chrome, tudo travava. Já mal abria uma foto, pois exigia demais do computador. Vídeo então? Nem pensar… E toda motivação que eu tinha em escrever, fotografar, tratá-las no LightRoom e gravar vídeos pro meu canal do YouTube ficaram no passado. Eu não tinha como fazer mais nada do que gostava e meus interesses foram mudando. E então eu parei completamente de produzir conteúdo por aqui, ficando apenas no Instagram.

Ah, mas o Instagram não é o mesmo que ter um blog, um canal de YouTube… e não é mesmo!

Passei a escrever textos no celular. Legendas curtas, pois ninguém lê muito por lá. Foquei mais nas fotos que fazia com o celular, editava ali mesmo, nos apps instalados. Dava meu jeitinho brasileiro de fazer o que eu queria com as ferramentas que eu tinha em mãos: apenas o meu celular. Alguma coisa ou outra eu usava o computador, não nego. Mas o todo, o completo, nunca mais. Cheguei a pensar que eu nem gostava mais disso aqui, e até abandonei o meu blog. Pra mim, já tinha ficado no passado essa coisa de compartilhar o que sinto e penso, mostrar fotos da minha vida a quem sequer conheço, colocar pra fora sentimentos, contar o que aconteceu aqui ou ali. Para mim, a internet já não era mais a mesma. Mas eu estava errada.

Um simples conserto…

Posterguei muito com o conserto do meu computador. Achei que por ser um produto da Apple, ou não teria conserto ou seria quase o preço de um novo (e convenhamos, os preços estão exorbitantes). Até que criei coragem e fui atrás de referências e encontrei um técnico que se prontificou a fazer um upgrade. O problema que ele tinha? O disco HD estava velho, cansado, funcionando lentamente e prestes a pifar de vez. Trocamos por um SSD (por um valor 10x menor que um computador novo) e hoje estou aqui, com meu amado funcionando como antigamente. A animação foi tanta que logo decidi reativar o meu blog que estava entregue às moscas.

Reinstalei tudo o que eu usava antes: Photoshop, LightRoom, Office, tudo, tudo o que eu precisava pra voltar a fazer o que eu fazia no passado. Em um único dia trabalhei incessantemente em tudo isso e, sinceramente, hoje eu percebo que uma grande lacuna que havia em minha vida, não apenas como lazer mas também como uma atividade terapêutica, foi completada. Foi como abrir as comportas de uma represa que estava com águas paradas por muitos anos. A escrita despeja tudo o que eu sinto e compartilhar num espaço próprio é um alívio.

Agora vai!

Estou tão animada que quero até reativar o meu canal do YouTube, mas isso fica para um outro texto. Claro, não dá pra comparar a produção de lá com isso aqui, que depende apenas de um editor de texto e do meu teclado que vai funcionar ainda mais a partir de hoje. Chega de folga!

Não tem como negar: as ferramentas que utilizamos influenciam sim na qualidade, nos hábitos e comportamentos. Não é determinismo, mas uma boa ferramenta nos permite transbordar aquilo que temos de melhor. E, para mim, o smartphone ou tablet jamais substituirá essa experiência aqui, de estar sentada em minha escrivaninha, com uma xícara de café ao lado, ouvindo uma música LoFi enquanto escuto o tec tec do teclado tentando acompanhar meu raciocínio. Nada substituirá. Posso ser cringe, posso ser old school, e sou mesmo. Mas o bom mesmo é esse meu computador velhinho que ganhou mais alguns anos de sobrevida e me acompanhará nessa nova fase. Sinto-me desperta de um sono profundo e tudo o que eu precisava era de uma simples troca de placa.

Quantas coisas na vida não precisamos de uma decisão simples para podermos transbordar nosso potencial? E ficamos postergando… deixando pra depois…

O dia em que me cansei do Instagram

 

Blog Camile Carvalho | Cansei do Instagram

Compre meu curso! Você tem feito tudo de errado até hoje em sua vida, mas eu tenho a solução de todos os seus problemas! – é o que mais tenho visto pelo Instagram. Eu não sei vocês, mas eu cheguei a um certo ponto de saturação naquela rede social. Quanto mais presto atenção nos conteúdos que as pessoas têm publicado, mais me dá uma agonia por eu não ter um produto para vender, porque sim, tudo nos leva a pensar que ou precisamos comprar todos os cursos de infinitos nichos por lá, ou precisamos vender nossos produtos.

Mas e eu?

Sinceramente, vejo a internet com um grande potencial para vendas em diferentes áreas, mas a minha intenção com tudo isso é simplesmente estar em uma comunidade com pessoas que pensam como eu, me inspirar, relaxar, ver fotografias bonitas e aprender sobre os assuntos que me interessam. Não quero me sentir diante de um site de vendas.

Eu sei que durante a pandemia abriram-se muitas oportunidades de lançamentos, cursos, ebooks sobre milhares de nichos. Foi uma excelente saída a muitos que, devido ao caos, viram na internet um espaço de oportunidade de sustento. O problema não é esse, mas sim que, no momento em que todos fazem absolutamente tudo igual, todos seguem as mesmíssimas fórmulas de lançamento, todos querem vender da mesma forma, nós, que somos os espectadores e possíveis compradores, desenvolvemos uma espécie de cegueira a tudo isso. Tudo é mais do mesmo.

O mercado digital ainda tem muito o que crescer – e acreditem, eu estudo essa área por muitos anos – mas ver tudo tão homogeneizado, tantas imitações, tanto conteúdo igual e até mesmo personalidades semelhantes, acaba com o diferencial de quem está ali, por trás da outra tela, tentando transmitir sua mensagem.

Quero ser diferente mas sou igual a todos!

Me perguntaram uma vez como ser diferente na internet. Como que se pode encontrar, em cada marca pessoal, um diferencial. A resposta é muito simples: sendo nós mesmos. O nosso diferencial consiste em sermos apenas nós mesmos.

Ninguém é igual ao outro, mas enquanto a massa busca incessantemente se igualar, uns aos outros, fazendo exatamente tudo igual, como se houvesse uma fórmula de sucesso (ou até mesmo de aceitação em comunidades), há aquela angústia como pano de fundo da perda da identidade.

Sabe, meus amigos, eu relutei muito em voltar a escrever neste blog. Desanimei, mesmo, depois que minha vida passou por uma grande mudança (acho que ir pra Índia foi o ponto de virada), mas hoje eu percebo que talvez eu não tenha nascido pra ser uma instagrammer. Não sei lidar com pensamentos curtos, boas imagens e muito menos registro constante do meu dia-a-dia. Eu sou dos textos. Dos textões, vocês sabem bem. E o que me angustiava, durante todo esse tempo, é que eu queria estar na internet, mas ainda não tinha encontrado o meu ponto.

Eu sou daqui

Ora, não dá pra querer tudo, não é mesmo? Pois eu sou daqui, do blog. Do texto. Do bate-papo com vocês aqui, na minha casinha onde vocês chegam, sentam-se à vontade e degustam – com calma – o que eu escrevo. Imaginem só se eu teria uma conversa dessas no Instagram? Impossível! Nem pela legenda da foto, muito menos pela conversa nos stories.

Lá é pra ser rápido. Lá tem distrações demais. Aqui, temos a calma, o dia todo se vocês quiserem. E eu sei que há uma luz no fim do túnel. Eu sei que há pessoas que ainda buscam essa experiência aqui. E quero recomeçar a fazer o que eu sempre gostei: escrever, conversar, ensinar e aprender, estabelecer um vínculo mais profundo com vocês e estar presente.

O meu compromisso está firmado.
E vocês, estão comigo?
Vamos voltar a blogar como antigamente?

Quando a hiperracionalização não deu conta

Quando a hiperracionalização não deu conta | Camile Carvalho

Quando mergulhei de cabeça no autoconhecimento, comecei a perceber coisas em mim que jamais havia percebido antes: comportamentos, falas, pensamentos recorrentes que muito provavelmente não tinham iniciado recentemente, mas sim há muito tempo – talvez nem mesmo nesta vida.

Então tornei-me observadora de mim mesma, afinal, se estou pensando e agindo, quem é que pensa os meus pensamentos?

O caminho espiritual junto com a psicoterapia me ajudou nesse distanciamento, de me observar por fora e analisar meus próprios passos como alguém de fora. A racionalização de tudo que me cercava me colocou num lugar seguro, importante e muito benéfico para o momento em que estava passando. Um momento de rupturas, de dores, de não compreensão de tudo o que estava acontecendo não apenas comigo, mas com o mundo.

Então esfriei. Deixei de sentir. Eu passei a tentar compreender meus sentimentos por meio de explicações racionais. Palavras. Textos. Para um dia de felicidade, uma explicação. Para um momento de choro, outra. Tudo é causa e consequência, portanto, tudo deve haver uma explicação.

A magia da espiritualidade não fazia mais tanto sentido, já que tudo é explicável e é passível de ser racionalizado. Mas há uma coisa que não tem como colocar em palavras: as experiências mais sutis que a vida espiritual nos proporciona. Há um sentir para além do sentir explicável que linguagem alguma dá conta. E foi aí que me senti como se os trilhos do meu trem tivessem acabado do nada. Não há mais para onde ir seguindo um parâmetro. Um passo além disso e todo controle, todo script, todo o explicável se esvai.

E foi então que percebi que algo estava faltando: mais uma vez o equilíbrio. O me permitir sentir com algo que vai além do coração e além da razão. Porque a espiritualidade tem uma mágica que, mesmo lendo todos os textos sagrados, mesmo recitando os mais difíceis sutras e mantras, mesmo sabendo toda a história da religião, não chegamos.

Há algo além que só é acessível por meio da experiência pessoal. E essa experiência, esse sentir, não há como explicar pois está para além da linguagem humana.

E então, volto para mim mesma, me olho no espelho dentro dos meus olhos e vejo que toda racionalização, toda hiperpsicologização dá conta de uma parte de mim. Mas somente o fechar os olhos, o meditar, o sentir é que dá conta de todo o resto.

Os prós da leitura no livro físico

Eu tenho uma mania: vejo meus livros como material de consulta e não como uma leitura que se encerra quando concluo o último parágrafo.

E esse é um dos motivos pelos quais prefiro o livro impresso, mas também por outros motivos que vou listar a seguir:

  • Posso folhear livremente pra achar alguma parte
  • É mais fácil de encontrar minhas anotações, desenhos, esquemas que escrevo à lápis
  • Posso usar flags coloridas e categorizar por tema
  • Posso usar meus marca-textos (embora no digital também tenha essa possibilidade)
  • Colo post-its nas páginas resumindo ou comentando algo importante
  • Uso os livros como meus próprios cadernos não precisando escrever sobre eles em nenhum outro sistema (faço apenas se quiser)

Claro que tem contras, mas hoje vim falar dos prós de continuar comprando livros físicos. Mas agora quero saber: pra vocês, quais os prós de continuar lendo em livros impressos em vez do digital?