O que Junho me ensinou?

Camile Carvalho | O que junho significou pra mim no inverno?

Junho foi um mês especial. Com o ápice do Inverno (sim, o solstício, na verdade, é o ápice e não o início da estação como falamos no ocidente), muitas revelações aconteceram pra mim.

Sempre tive uma conexão muito forte com os ciclos da Terra e por um período da minha vida havia perdido essa sintonia. Olho pra isso sem culpa, ressignifico como fazendo parte do meu processo cíclico de aproximação e afastamento, contração e expansão, lua e sol…

Mas os invernos pra mim têm um significado muito especial. Com esse chamado de recolhimento e reflexão, sinto-me mais intuitiva. Falo menos, escuto mais, escrevo mais, leio mais… Penso, reflito, me acolho.

É nesse período também que minha reforma íntima está no ápice e, por inúmeros motivos, voltei a sintonizar e conectar com meus Mestres Espirituais.

No momento do caos, foi difícil aceitar que era preciso pausar. O ego não me permitia abandonar algo que me era tão importante. Mas foi necessário. Hoje, ressignificando muitas coisas no campo espiritual e religioso, me vejo enxergando a situação de uma outra forma. Como uma espiral, voltamos ao mesmo ponto, mas em uma nova posição.

O que é cíclico sempre nos faz retornar, mas a cada volta, mudamos.

Sempre que voltamos àquele ponto, já somos uma outra pessoa.

Gratidão, Junho, por ter me reconstruído das cinzas. Depois de jogar tudo pro alto, catei apenas os caquinhos que me eram importantes e me reconstruí, deixando pra trás aqueles que não se encaixavam mais em mim.

O que Junho significou pra você? Como você se sente nos períodos invernais de recolhimento?

É hora de se despir do que não é você

É hora de se despir do que você não é | Vida Minimalista | vidaminimalista.com

Afinal, quem é você? Tenho certeza que todos de nós pelo menos uma vez na vida já fez essa pergunta. O que sou, quem sou e por que estou aqui são dúvidas frequentes do ser humano. Uma dúvida que talvez não haja uma resposta, ou que cada um encontrará ao longo dessa jornada.

No entanto, uma coisa é certa: estamos constantemente nos vestindo de algo que, na maioria das vezes, não faz parte de quem somos. Embora não saibamos definir com exatidão nossa real identidade, com uma reflexão podemos sim, saber, quais são os nossos princípios.

Seja sincero com você mesmo. Quantas vezes você já comprou algo como uma roupa, celular, passou a gostar de algum artista ou até mesmo leu um livro para se sentir parte de algo? O ser humano tem a necessidade inata de socializar e não é estranho que um indivíduo, em determinado momento, passe a ter o comportamento de um grupo no qual faz parte para, não apenas sentir-se aceito, mas para também descobrir através da experiência própria, como é fazer parte desse grupo.

Darei um exemplo. Suponhamos que eu estude Letras e que em meu circulo de amizades tenham pessoas que curtam Shakespeare. Meus melhores amigos conversam sobre Shakespeare, até na cantina, enquanto tomam um café. Ao ser perguntado sobre qual obra gosto mais, me sentiria acanhada em responder que não o conheço muito bem, e a partir daí procurarei ler algo sobre o assunto, para fazer parte de algo. Veja bem, isso não é ruim, pois enriquecerá meu conhecimento cultural. Eu posso sim, passar a gostar, mas nem sempre isso ocorre. Acontece que, em diversos casos, pessoas passariam a ler Shakespeare mesmo não gostando muito, apenas para não sentir-se excluído.

Eu sou uma grande defensora do conhecimento. Acredito que quanto mais buscarmos conhecer diversas culturas, a história, idiomas diferentes e áreas diferentes, mais seremos capazes de pensar por nós próprios. Só somos capazes de fazer uma crítica a algo, seja positiva ou negativa, caso conheçamos o objeto. Isso quer dizer que, mesmo não gostando de algo, é importante que conheçamos para fortalecer uma opinião.

No entanto, acontece muito de adquirirmos um gosto devido ao estímulo externo e não necessariamente significa que realmente aquilo faz parte de quem somos. Hoje, com a loucura da publicidade, acabamos acreditando que gostamos daquilo que estamos consumindo. E isso é um perigo. Será que você realmente gosta daquele CD que comprou daquela artista famosa? Ou apenas comprou pelo simples fato de estar vendendo em todos os lugares e todos seus amigos já terem comprado? Será que eu gosto de ler Shakespeare ou é o meio em que vivo que acaba me fazendo acreditar que eu gosto?

É hora de fazermos um balanço em nossas vidas. Será que o que consumo realmente diz sobre a minha personalidade? A roupa que eu uso mostra quem sou por dentro ou comprei aquela calça listrada em preto e branco por que todos estavam usando? Não tenha vergonha de assumir que não gosta de algo que todos julgam ser muito bom. Temos o direito de discordar. Temos o direito de pensar. É hora de buscar nossas características individuais em cada pedaço da nossa vida. Filmes, músicas, roupas, livros, alimentação… Vamos nos despir do que não significa nada?

Olhe ao seu redor e reflita: o que tem em você que não diz nada sobre a sua pessoa?

obs.: Shakespeare foi apenas para exemplificar 😉