
Por muito tempo ensaiei voltar a escrever por aqui. Mudei o blog, o nome, mudei tudo. Fui pra Índia, voltei. Me encontrei por lá, depois me perdi. Me apaixonei, depois fui enganada. Pandemia, depressão, luz no fim do túnel? Que nada. Tudo que eu via era uma realidade que nunca havia passado antes.
Mas não era apenas eu.
Quando saía do meu mundinho de dentro de casa e ampliava a minha visão, enxergava o caos. E então vinha novamente a ansiedade e, para não piorar minha situação, voltava ao meu universo. Meu caos me bastava. E tudo isso sem sair de casa por meses…
Eu não sei o que estamos passando. Nunca tivemos referência sobre isso. As primeiras impressões que tive foi de pânico. E eu só pensava em quando iria poder embarcar novamente pra Índia, meu novo lar.
Mas tudo, exatamente tudo deu errado.
Aquele que me esperava por lá, um dia simplesmente sumiu sem me dizer adeus. Meus amigos, os poucos que continuaram o contato, cada um deles estava vivendo seus próprios desafios. Meu problema não era maior que o de ninguém pra que eu pedisse por atenção, mas era grande o suficiente pra que eu me visse sem chão, sem saber como agir diante do caos.
A primeira vez que sentei na poltrona da psicóloga, em novembro de 2020, eu não sabia o que falar. Não sabia como ela poderia me ajudar. O embolado de fios na minha mente era tão grande que seria impossível de organizar. Logo eu, tão organizada…
Mas o tempo foi passando. A cada semana conversávamos sobre um dos nós, e aos poucos fui conseguindo me compreender: autocobrança, não aceitação, perfeccionismo. Tudo isso me paralisou de uma forma que eu cheguei a me olhar no espelho e me perguntar em quem eu havia me transformado…
Um passo de cada vez. Essa foi a frase que mais me acompanhou durante todo esse processo. Um passo. Baby steps… por menor que seja.
Quando queremos chegar ao topo de uma escada, não saltamos diretamente ao último degrau. O processo é longo, em etapas. Cada degrau importa. E a cada passo que damos em direção ao topo da escada, deixamos um degrau pra trás.
Quando olho pra trás, pra todos os degraus que eu já abandonei, percebo que eu estava em um caos. O autoconhecimento, o verdadeiro autoconhecimento me fez mergulhar em mim mesma e aceitar que tudo muda. Tem certas coisas na vida que quanto mais seguramos, mais dói. Sim, doeu muito. Soltar também doeu. Mas olhem só, minhas mãos estão calejadas, porém livres.
E aqui estou eu, hoje, me abrindo como nunca consegui no Instagram. Por lá, sinto-me em um conflito. A cada foto contando uma nova experiência, mais pessoas me abandonam. Ninguém quer saber. Parece que por lá, se você não está ensinando algo de útil, você simplesmente é… inútil. E assim as pessoas vêm e vão…
Somos medidos por likes, por seguidores e aqui, eu sequer sei quem me lê. Muitos anônimos, outros que parecem já fazer parte da família, mas aqui estou simplesmente diante de uma tela em branco com o cursor piscante. Aqui me sinto livre pra colocar as palavras, antes entaladas, nesse papel virtual.
Que este seja um novo (re)começo, dentre muitos que já tive. E que uma nova etapa na minha vida se inicie com esse longo post, como de costume.
Não, queridos, eu não economizo palavras. E eu espero, de coração, que tenham chegado até aqui. Se não chegou, também não tem problema. Que diferença faz, não é mesmo?
Sejam muito bem-vindos ao meu blog. Um pedaço de mim, que pretendo alimentar com muito amor. E que possamos, novamente iniciar uma linda jornada por uma vida mais simples, mais consciente e principalmente, com saúde e paz mental.
Que assim seja.

Li o comentário acima e lembrei do nome desse blog. Saudades !!
Cara o texto estava na caixa de entrada eu deixei pra lê depois, na realidade nem sabia de quem era e do que se tratava. Acabei de lê, após receber uma resposta que me deixou muito pra baixo, mas seu texto me deu um up. Basicamente entendi que nada nada vida é fácil e não só sou eu que tenho problemas, as vezes penso que só eu tenho problemas, mas isso não é a realidade.
Bom fico grato pelo texto.
Rerison, que bom que meu texto te ajudou de alguma forma. Todos nós temos nossos desafios e é importante sabermos que as coisas não acontecem só com a gente. Tá todo mundo passando por alguma coisa, principalmente agora.
Espero que esteja melhor, qualquer coisa estou por aqui!
Abraços!
Não posso deixar de comentar. Inclusive comentei na página Now recentemente, rs (amei a nova reconfiguração).
Camile, Ewerton do Recife aqui. Leitor assíduo de anos. Quantas emoções senti lendo seu texto, um relato tão intrínseco e vívido, que acredito foi te rasgando e te libertando a cada linha. Sinceramente, o caos que se instalou no mundo, no Brasil, em nossas casas e em nossas mentes com questões pessoais e pandemia, veio para nos provar e nos testar realmente. Me identifiquei muito com suas palavras, porque fui no inferno e voltei nos pouco mais de 450 dias de pandemia. E só tenho a agradecer por ter um teto, uma família, roupa, comida e ainda poder estudar.
Muitos foram os ciclos encerrados mas que ainda querem (por conta do apego e ego ao passado) me puxar de volta. Grandes marcos da década como, por exemplo, fim de uma graduação, fim de um relacionamento de quase uma década, muitos momentos financeiros, estudos para níveis mais altos (idiomas, concursos, vida acadêmica), meses em confinamento em sua maioria de dias, momentos de calar minha vontade e mais uma vez, sem forças, fazer brotar autocompaixão e paciência. Cada um com suas dores, alegrias, medos e universos pessoais. Cada vez mais urgência e pouco esvaziamento.
Hoje, continuo te acompanhando e fiquei muito feliz com a volta. Nenhuma obrigação, eu sei, mas como sei que escrever te mantem viva e feliz, espero ler mais textos cada vez mais. <3 Simplesmente você me transporta pra outra dimensão através das palavras. Obrigado por tanto.
Você não está sozinha em meio a tanta liquidez, saiba disso. Intensidade e o olhar para dentro ainda são muito válidos enquanto formos resistência num mundo tão inquieto e agonizante. O caminho do meio, sempre se respeitando e dando o melhor de si, ainda é válido. Sei que sua jornada não está fácil, mas muito enriquecedora e você não mede palavras. Go on! Continue entendendo suas fraquezas e sendo resiliente, pois as respostas que precisamos estão no céu e dentro de nós mesmos.
Boas escolhas sempre resultam em bons aprendizados e quem sabe em boas experiências. Depois de um tombo, um processo. E depois de um processo, luz e iluminação. Estamos juntos, cheiro pra tu!
Ewerton, meu querido! Você não desistiu de mim?! 🙂
Ah, como eu precisava escrever. Me limpar de tudo o que passou, reiniciar tudo por aqui… estava carregando muitas coisas que me pesavam as costas e mal conseguia mais caminhar adiante. Encontrei no blog um refúgio, onde ninguém me leria e eu poderia escrever sem me podar tanto. E eis que descubro que pessoas muito queridas, como você, ainda passam por aqui.
Que possamos caminhar adiante e deixar os pesos no passado.
Espero que você esteja bem, e se precisar de qualquer coisa, um papo ou uma troca de emails, sabe como me encontrar, né?
Um grande abraço, saudades de você!
Camile
Claro que nunca desisti, querida! Never! hahaha
Te entendo perfeitamente, sempre em frente! Como um rio, no qual mesmo que as águas passem pelo “mesmo lugar”, nunca serão mais as mesmas águas. Obrigado, sempre! <3
Janaina, que felicidade te ver por aqui! Obrigada pelo carinho!
Estou de volta. 🙂